Pandemia faz descer satisfação dos portugueses com cuidados de saúde primários
DATA
26/01/2022 10:23:50
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Jornal Médico
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Pandemia faz descer satisfação dos portugueses com cuidados de saúde primários

Um estudo realizado pela DECO PROTESTE para avaliar a satisfação dos portugueses com os cuidados de saúde primários (CSP) desde março de 2020 a junho de 2021, apurou que a satisfação global com os centros de saúde desceu. Os dados indicam que 55% dos portugueses precisaram de cuidados de saúde não relacionados com COVID-19 durante a pandemia, 46% dos quais não receberam todos os cuidados que necessitavam.

O estudo revelou ainda que a assistência aos pacientes nos CSP foi “afetada pela reorganização dos serviços no período pandémico, sendo que 46% dos inquiridos que precisaram de cuidados de saúde durante a pandemia não conseguiram suprir todas as necessidades”.

“Destes, 27% não tiveram uma única consulta – uma realidade à qual não será alheia a alocação de profissionais de saúde para o seguimento telefónico de doentes com COVID-19, processo de vacinação e outras tarefas referentes à gestão da pandemia”, pode ler-se em comunicado enviado pela organização de defesa do consumidor.

Os dados reportados alertam que sete em cada dez utentes que falharam cuidados de saúde, não fizeram duas a cinco das consultas de que precisavam entre o início da pandemia e meados de 2021, manifestando impacto na sua saúde – num quarto dos casos com consequências graves.

A maioria dos inquiridos que têm o seu médico de família há menos de um ano (55%) indicam não terem tido todos os cuidados que precisavam, um valor superior aos pacientes que têm o mesmo médico há mais de 10 anos (40%).

O norte do País surge à frente das falhas reportadas, com “54% dos utentes a reportarem que não viram todas as suas necessidades atendidas”, sendo que em termos gerais, a proporção de queixas é “maior entre os doentes crónicos e os que descrevem o seu estado de saúde como mau ou mediano”.

 “Quanto maior o número de consultas suprimidas, maior se revela o impacto na saúde e menor a satisfação dos utentes com o médico de família e com o centro de saúde”, esclareceu Ana Guerreiro, Relações Institucionais da DECO PROTESTE.

Apenas um terço dos inquiridos que precisaram de cuidados de saúde não penalizaram o clínico geral. Quatro em dez consideram o acompanhamento médico insatisfatório e 28% assinala a opção “sofrível”. Quando questionados sobre o nível de satisfação atual com os cuidados de saúde primários, 31% dos inquiridos apontaram o sinal menos ao médico de família e 37% ao centro de saúde. Em comparação com o período antes da pandemia, um terço dos utentes estão atualmente menos satisfeitos com o seu médico de família e quase metade com o centro de saúde.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.