Níveis prolongados de stress causados pela pandemia geram intenso sofrimento psicológico
DATA
24/01/2022 16:08:29
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



Níveis prolongados de stress causados pela pandemia geram intenso sofrimento psicológico

Os níveis elevados e prolongados de stress a que as pessoas foram sujeitas, quer pela pandemia quer pela crise económica associada, gerou intenso sofrimento psicológico, adiantou à Lusa a psiquiatra Maria João Heitor.

“Além disso, há alterações neuropsiquiátricas em pessoas infetadas ou que tenham estado infetadas decorrentes do efeito direto do vírus SARS-CoV-2 no sistema nervoso central, ou através da ativação de uma resposta imunológica intensa”, esclareceu a presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental.

Maria João Heitor frisou ainda que se a pessoa tiver uma doença psiquiátrica prévia, o risco de agravamento dessa doença ou o risco de desenvolver outra patologia é superior com a pandemia.

A situação é confirmada pelo psiquiatra Ciro Oliveira, do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa que assistiu, em quase dois anos de pandemia, ao aumento dos níveis de ansiedade e de depressão, muito ligados ao isolamento, nos doentes.

“O próprio medo causa essa ansiedade e estas situações também podem levar alguns doentes a ter mais uso de substâncias como álcool ou outras drogas”, relevou, sublinhando que existem estudos que apontam para aumentos na ordem dos 20% no consumo de bebidas alcoólicas.

Contudo, Ciro Oliveira apontou que alguns estudos também têm revelado algum aumento do pensamento suicida sobretudo nos doentes com patologia mental prévia. “Tivemos doentes com tentativas de suicídio porque perderam a atividade económica na sua empresa e estavam em situação de fragilidade económica por causa da pandemia”, contou.

Nos idosos com quadros demenciais já instalados observou-se também uma deterioração mais rápida do que aconteceria numa situação normal devido ao isolamento, ao afastamento de família, à falta de estímulo cognitivo e físico, enquanto outras pessoas anteciparam o desenvolvimento desse quadro demencial.

Já nos jovens está a assistir-se a sentimentos de “insegurança, medo, tensão, não apenas em relação à pandemia, mas também pelas crises económicas que se sucedem”, expôs, por seu turno, Maria João Heitor.

Os psiquiatras defenderam a necessidade de medidas para mitigar as consequências da pandemia, no âmbito da promoção e proteção da saúde mental.

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.