Estudo avança que ambiente pode moldar predisposição das crianças quanto ao apetite
DATA
20/01/2022 14:31:15
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Jornal Médico
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Estudo avança que ambiente pode moldar predisposição das crianças quanto ao apetite
Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluíram que apesar de a genética influenciar “bastante” os comportamentos alimentares das crianças, o ambiente em que se inserem pode moldar a sua predisposição quanto ao apetite.

 Publicada na revista Eating and Weight Disorders – Studies on Anorexia, Bulimia and Obesity, a investigação, avaliou de que forma a genética e o ambiente influenciavam a variabilidade dos comportamentos alimentares das crianças.

A primeira autora do estudo, Sarah Warkentin, em declarações à Lusa, disse que, apesar de vários estudos no Reino Unido avaliarem essa influência, em Portugal “não havia nenhum que fizesse essa análise”.

Para perceberem os fatores que influenciavam a variabilidade dos comportamentos alimentares das crianças, os investigadores analisaram 86 pares de gémeos, com dez anos, da 'coorte' Geração XXI (um estudo longitudinal do ISPUP que, desde 2005, segue participantes que nasceram nas maternidades públicas da Área Metropolitana do Porto).

“Os gémeos são uma experiência natural porque temos os gémeos idênticos, em que 100% da sua genética é compartilhada, e os não idênticos, em que 50% da genética é partilhada. Por meio de análises estatísticas conseguimos estimar o que é influenciado pela genética e pelo ambiente”, adiantou a investigadora.

Os investigadores avaliaram oito comportamentos relacionados com a alimentação, nomeadamente, o prazer em comer, a resposta à comida, o desejo por bebidas, a sobre-ingestão emocional, a resposta à saciedade, a ingestão lenta, a seletividade alimentar e a sub-ingestão emocional.

“Vimos que a genética tem uma grande influência em todos os comportamentos alimentares à exceção da sub-ingestão emocional, que parece ser mais afetada pelo ambiente”, frisou Sarah Warkentin, aludindo que, apesar da influência genética, “o ambiente em que as crianças se inserem também é muito importante”.

Observou ainda que “o ambiente consegue moldar a predisposição nos comportamentos alimentares”.

O estudo, intitulado Genetic and environmental contributions to variations on appetitive traits at 10 years of age: a twin study within the Generation XXI birth cohort e coordenado pela investigadora Andreia Oliveira, foi financiado pelo programa FEDER e pela Fundação Para a Ciência e Tecnologia (FCT).

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Editorial | Conceição Outeirinho
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