Estudo indica agravamento de sintomas de depressão e ansiedade com pandemia
DATA
12/01/2022 14:57:08
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Jornal Médico
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Estudo indica agravamento de sintomas de depressão e ansiedade com pandemia

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que envolveu 929 pessoas, concluiu que a maioria dos participantes com sintomas de depressão e ansiedade relacionou o seu agravamento com a pandemia.

A investigadora Ana Sofia Aguiar, em declarações à agência Lusa, esclareceu que o estudo, publicado na revista Journal of Affective Disorders Reports, surgiu da “necessidade de avaliar o impacto da pandemia da covid-19 na saúde mental dos portugueses”.

Na investigação, que teve por base um questionário online com uma amostragem em bola de neve, participaram 929 pessoas, na sua maioria mulheres (70,9%) e com um nível de ensino superior (75,4%), sendo que mais de metade dos participantes tinha idades compreendidas entre os 18 e os 39 anos e viviam na região Norte do País (63,5%).

Esta informação, recolhida entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, possibilitou aos investigadores chegar à conclusão que dos 929 participantes, “26,9% apresentaram sintomas de ansiedade, 7% de depressão e 20,4% ambos os transtornos, sobretudo após o início da pandemia”. A par disso, 23,1% dos participantes desenvolveu sintomas de ansiedade num nível moderado e 17% de depressão, também num nível moderado.

“Não esperava encontrar uma prevalência tão alta, dado que temos uma população altamente escolarizada que esteve mais resguardada dos impactos económicos e sociais que a pandemia fez prevalecer no nosso país”, frisou Ana Sofia Aguiar.

De acordo com a investigadora, “a grande maioria dos participantes (521) relacionou o agravamento dos sintomas de ansiedade e depressão com a pandemia”.

Deste número de participantes, 7,9% ficaram desempregados desde o início da pandemia e 6,8% encontravam-se numa situação de insegurança alimentar, isto é, por motivos económicos não conseguia aceder a alimentos nutricionalmente adequados.

“Concluiu-se que as pessoas com idades mais jovens, as mulheres, os cidadãos mais escolarizados e que se encontravam numa situação de insegurança alimentar apresentaram um risco acrescido de ter sintomas de ansiedade”, relevou a investigadora.

A investigação faz parte do projeto de doutoramento de Ana Sofia Aguiar, que recebeu financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e do Programa Fundo Social Europeu.

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Editorial | Conceição Outeirinho
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