Dor crónica nos Cuidados de Saúde Primários em Portugal
DATA
15/10/2021 17:51:08
AUTOR
Jornal Médico
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Dor crónica nos Cuidados de Saúde Primários em Portugal

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COMENTÁRIO DO DR. FILIPE ANTUNES, AUTOR DO ESTUDO:

Dor crónica em unidades de Cuidados de Saúde Primários em Portugal: prevalência e características

Sabíamos, anteriormente do estudo de Azevedo et al de 2012, que a dor crónica tinha uma prevalência de cerca de 37% na população adulta portuguesa.

Passado tanto tempo, era importante ter uma noção mais atual e real da prevalência da Dor Crónica, assim como perceber o seu impacto nos cuidados de saúde primários (CSP), por serem a porta usual de entrada dos cidadãos no SNS. Daí a necessidade deste estudo (multicêntrico, transversal e observacional) realizado em Portugal continental, entre setembro de 2017 e novembro de 2018, e envolvendo uma equipa alargada de 58 investigadores principais e cerca de 140 coinvestigadores.

O estudo decorreu em 58 centros das ARS do Norte, ARS do Centro, ARS de Lisboa e Vale do Tejo e ARS do Alentejo, através da realização de 8445 consultas e identificação de 2834 doentes com dor crónica, para uma prevalência final de Dor Crónica estimada em 33,6%.

As perguntas chave que elaborámos foram:

Quais as características da Dor Crónica nos CSP?

Como é diagnosticada e gerida a Dor Crónica nos CSP?

Quais as expetativas temporárias de controlo e resolução da Dor Crónica?

Qual o impacto da Dor Crónica na Qualidade de vida dos cidadãos portugueses?

O estudo veio corroborar a prevalência conhecida de Dor Crónica em cerca de 1/3 da população portuguesa, sendo maioritariamente de causa músculo-esquelética e localizada a nível da coluna lombar e dos membros inferiores, tal como em todo o mundo ocidental.

A Dor Crónica foi diagnosticada, na maior parte das vezes, pelos médicos de Medicina Geral e Familiar e a intensidade média registada foi de 5,3 pontos numa escala de 0 a 10.

A expectativa da resolução da Dor Crónica foi variável entre os participantes do estudo, sendo que um maior número de consultas ou de exames complementares de diagnóstico realizados implicou uma menor expectativa temporal de resolução do quadro clínico, enquanto a compreensão das queixas álgicas do utente por parte do médico, resultou exatamente no contrário.

A maioria dos cidadãos referiu grande impacto da dor crónica em todas as dimensões de qualidade de vida avaliadas, nomeadamente na mobilidade, atividades usuais e pessoais do dia a dia, resultando depois em desconforto, ansiedade e depressão, que foram também objetivadas nos resultados do estudo.

O estudo torna-se importante pela abrangência de cuidados de saúde primários que cobriu, acabando por ressaltar a grande prevalência de Dor Crónica nos cidadãos que recorrem aos CSP e o enorme impacto da dor nas suas vidas.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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