Cerca de 40% dos portugueses pagam por saúde privada por falta de resposta do SNS
DATA
12/05/2021 09:47:41
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Jornal Médico
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Cerca de 40% dos portugueses pagam por saúde privada por falta de resposta do SNS

O ex-ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, alertou que cerca de 40% da população portuguesa paga por cuidados de saúde no setor privado, por falta de resposta atempada do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Temos cerca de 40% da população portuguesa, de forma generalizada, pagando os serviços de saúde no setor privado, num país em que a Constituição nos dá a garantia de cuidados de saúde tendencialmente gratuitos”, afirmou o ex-governante num debate promovido pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Gestão de Saúde, sobre o futuro do SNS.

Acrescentou que “apesar desta garantia constitucional, cerca de três milhões de portugueses têm seguros de saúde privados, dos quais 1,1 milhões pagam do seu bolso e os restantes são as empresas que pagam”, sublinhando que “grande parte das pessoas vão ao setor privado porque o SNS não lhes dá resposta no tempo e no prazo que elas carecem”.

“Eu herdei 123 mil pessoas em listas de espera, em 2019 tínhamos 252 mil pessoas. No meu tempo tinha 7,3 mil milhões de euros de Orçamento. No final de 2019, eram 11 mil milhões e o número de listas de espera aumentou”, disse Luís Filipe Pereira.

O antigo ministro defendeu ainda a “absoluta necessidade de evolução para um novo modelo, de forma prática, gradual e reformista”, que permita introduzir reformas estruturais no atual modelo, mas sem alterar as garantias de cuidados de saúde à população.

“A dicotomia fundamental não é se é público ou privado. É se serve ou não serve a população com custos aceitáveis para todos nós como contribuintes”, através de uma evolução do Serviço Nacional de Saúde para um Sistema Nacional de Saúde que preveja a coexistência de prestadores público, privado e social.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
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Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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