Estudo revela que um quarto das mulheres não faz acompanhamento ginecológico regular
DATA
07/05/2021 09:59:54
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Jornal Médico
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Estudo revela que um quarto das mulheres não faz acompanhamento ginecológico regular

Um estudo revelou que uma em cada quatro mulheres não faz acompanhamento ginecológico regular e 84,2% da população desconhece os sintomas do cancro do ovário.

O estudo “O Cancro do Ovário em Portugal: conhecimento e perceções”, promovido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), Sociedade Portuguesa de Ginecologia Oncológica (SPGO) e pelos Movimento Cancro do Ovário e outros Cancros Ginecológicos (MOG), em parceria com a GSK, revelou “níveis preocupantes de desconhecimento” acerca desta doença. O estudo concluiu que 84,2% da população desconhece os sintomas, mais de 35% não sabe apontar os fatores de risco, cerca de 84% não tem informação sobre a idade média do diagnóstico e 44% não faz acompanhamento ginecológico de forma regular por não sentir necessidade.

A investigação em causa envolveu uma amostra constituída por 806 mulheres e 206 homens, sendo proporcional à população portuguesa em termos de idade e região.

“Este estudo demonstra aquilo que é o conhecimento e as perceções da nossa população relativamente a uma doença oncológica altamente complexa e desafiante do ponto de vista clínico. Sem dúvida que deve ser motivo de reflexão para todos nós e, principalmente, mobilizador para alteração de comportamentos e paradigmas, no sentido de rapidamente se conseguirem inverter estes resultados, que nos preocupam enormemente”, considera a presidente da SPO, Ana Raimundo, em nota enviada.

A oncologista da Fundação Champalimaud, Filipa Silva, afirmou que os resultados demonstram que a população não tem um grande conhecimento acerca do cancro do ovário. Salientou ainda que “além do cancro do ovário, a consulta de ginecologia serve essencialmente para rastrear também os tumores, nomeadamente o cancro do colo do útero”.

A médica sublinhou a existência de vários mitos associados a estes tipos de cancro, como a citologia (teste do Papanicolau) que é um teste de rastreio para o cancro do colo do útero e não do ovário.

“Infelizmente para o cancro do ovário não temos um teste de rastreio que nos permita fazer um diagnóstico precoce”, lamentou Filipa Silva, adiantando que cerca de 70% a 80% das doentes são diagnosticadas em fases avançadas, sendo necessário alertar e divulgar informação acerca da mesma.

Os sintomas iniciais costumam ser ligeiros e confundidos com outras doenças benignas, portanto as mulheres devem estar alerta e procurar ajuda médica, assim que surgirem os primeiros sinais.

Em média, 600 portuguesas são diagnosticadas por ano, maioritariamente na pós-menopausa, com mais de 50 anos, sendo que uma em cada 78 mulheres pode vir a desenvolver este cancro durante a vida. É estimado que, até 2035, a incidência mundial aumente 55% e a mortalidade suba para 67%.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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