Cardiologistas defendem telemedicina e desafio será definir doentes a seguir à distância
DATA
07/05/2021 10:01:27
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Jornal Médico
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Cardiologistas defendem telemedicina e desafio será definir doentes a seguir à distância

O presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), Lino Gonçalves, defende que a telemedicina, que cresceu com as exigências da pandemia, deve manter-se e que a questão crítica nas consultas é definir quais os doentes que podem ser seguidos à distância.

O responsável, à Agência Lusa, sublinhou as vantagens do seguimento à distância para alguns casos, dando igualmente o exemplo de um projeto piloto na área da telemonitorização no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Explicou ainda que “depois da alta, alguns doentes com insuficiência cardíaca grave, viram instalada na sua residência tecnologia que permite transmitir sinais à distância e que permite identificar precocemente as descompensações e intervir atempadamente”.

Os dados desta experiência inicial, que acompanha nesta altura 30 doentes, mostram que com esta monitorização à distância “se conseguiu evitar reinternamentos em 68% dos casos”.

Lino Gonçalves esclareceu que, nas consultas externas, a questão crítica vai ser a definição dos critérios e das situações em que a consulta presencial é essencial, como, por exemplo, as primeiras consultas.

“Para alguns doentes selecionados, as consultas poderão manter-se à distância, mantendo a segurança para o doente”, afirmou.

Apontou ainda as experiências já existentes na área da telesaúde, entre profissionais de saúde – para análise conjunta de casos – e entre hospitais e centros de saúde

“Permite resolver problemas a distância, dando apoio aos cuidados de saúde primários e evitando deslocações de doentes aos hospitais”, afirmou.

O novo presidente da SPC dá o exemplo de um projeto piloto em que participou há alguns anos com centros de saúde, em contexto de urgência, e em que o contacto do cardiologista com o médico de medicina geral e familiar conseguiu evitar o envio para as urgências hospitalares de 60% dos doentes.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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