Especialistas afirmam que encargos com doenças cardiovasculares estagnaram
DATA
04/05/2021 10:54:33
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Jornal Médico
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Especialistas afirmam que encargos com doenças cardiovasculares estagnaram

Um grupo de especialistas da área da Saúde concluiu que os encargos com as doenças cardiovasculares estagnaram, apesar de continuarem a ser a principal causa de morte em Portugal.

Com o objetivo de levantar questões e propor soluções para ultrapassar os desafios atuais e futuros da abordagem às doenças cardiovasculares em Portugal, um grupo de especialistas da área da Saúde em Portugal criou um Think Tank, a partir do qual surgiram novas medidas relacionadas com a gestão das doenças cardiovasculares (DCV).

As conclusões apresentadas no estudo apontam como principais causas do encargo com as doenças cardiovasculares em Portugal, o estilo de vida, falta de atividade física, consumo excessivo de sal, prevalência da diabetes e falta de adesão ao tratamento, segundo comunicado enviado.

O grupo de especialistas destacou ainda que a gestão das doenças cardiovasculares em Portugal enfrenta vários desafios, como a “desigualdade no acesso à saúde” e a “falta de integração e comunicação entre os Cuidados de Saúde Primários e Cuidados de Saúde Secundários”, assim como entre os diferentes profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados cardiovasculares. Além disso, foram também encontradas dificuldades no planeamento estratégico do financiamento do Sistema de Saúde, aliadas à falta de estratégias de avaliação claras para a inovação.

“A área da prevenção está muito ligada à Saúde Pública e tem havido dificuldades na sua implementação. Um dos desafios é o impacto que as medidas de prevenção têm, uma vez que não acompanham o impacto das terapêuticas, que têm sido muito mais eficazes. Existem, de facto, barreiras na otimização da utilização das ferramentas de que dispomos e em como expandi-las para podermos implementar melhor as estratégias de prevenção na área cardiovascular, sabendo que 80% das DCV podem ser prevenidas”, afirma o presidente da Federação Mundial do Coração, Fausto Pinto.

As conclusões, integradas no documento “Innovation and Healthcare Process in the Cardiovascular Patient in Portugal” indicam ainda que a criação de planos de saúde regionais, o melhoramento da coordenação entre o sistema nacional e a realidade local, a definição de percursos claros e multidisciplinares para o doente e o desenvolvimento de programas de educação estruturados, que envolvam as associações de doentes e os Médicos dos Cuidados de Saúde Primários habilitados são algumas potenciais soluções para melhorar a situação atual.

“É por isso necessária a existência de um Plano Nacional de Saúde que defina as grandes linhas mestre, cuja estratégica está alinhada com as orientações internacionais, mas adaptada à proximidade. Enquanto um Plano Nacional é um plano técnico, elaborado por grandes peritos nacionais, os planos regionais e locais devem envolver quem conhece a realidade local, os utentes, as associações de doentes e também outros atores que não apenas a comunidade médica”, defende o ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Contextualizando o tema, em Portugal, as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morbilidade, mortalidade e incapacidade, sendo a principal causa de morte entre as mulheres. Estima-se que 75% dos casos de doenças cardiovasculares se devem a fatores de risco cardiovascular modificáveis, ou seja, as doenças cardiovasculares podem ser prevenidas, tratadas e controladas, sendo necessário  encontrar estratégias de promoção da saúde e prevenção da doença.

O grupo de trabalho Think Tank foi composto pelos seguintes membros: a cardiologista no Hospital de Santa Maria, Ana Maria Ferreira Abreu, o professor de Cardiologia na Universidade de Lisboa, Manuel Carrageta, o ex-ministro da Saúde de Portugal, Adalberto Campos Fernandes, a Professora Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Maria do Céu Machado, o Professor Associado de Farmácia Social na Universidade de Lisboa e Membro Executivo da Comissão de Ética para a Investigação Clínica, Hélder Mota-Filipe e o presidente da Federação Mundial do Coração e Professor de Cardiologia no Hospital de Santa Maria, Fausto Pinto.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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