Meio milhão de euros para inovar no tratamento da doença coronária
DATA
19/04/2021 14:49:34
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Jornal Médico
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Meio milhão de euros para inovar no tratamento da doença coronária

Um consórcio liderado pela ICNAS-Produção, empresa da Universidade de Coimbra (UC), obteve meio milhão de euros para concretizar um projeto de investigação, que permite melhorar o tratamento da doença coronária.

O projeto, intitulado “Biolmage2CTO”, obteve meio milhão de euros de financiamento do programa COMPETE 2020 e pretende desenvolver novos biomarcadores de imagem que permitam melhorar o tratamento da doença coronária, em particular os doentes com oclusão coronária crónica, conforme nota enviada.

O consórcio, que também envolve a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e a Universidade do Minho (UMinho), vai centrar-se nas oclusões coronárias totais (CTO, na sigla inglesa), que são encontradas em cerca de 18 a 35% dos pacientes com doença coronária estável.

Contextualizando o tema, segundo a UC, as oclusões coronárias crónicas caracterizam-se pela obstrução completa das artérias coronárias, responsáveis pelo fornecimento de oxigénio e nutrientes ao coração, sendo que a oclusão das mesmas pode impedir o coração de funcionar normalmente e condicionar o aparecimento de sintomas de insuficiência cardíaca e angina de peito.

A coordenadora do projeto, Maria João Vidigal, sublinha que “o sucesso do tratamento das CTO reflete-se na qualidade de vida e sobrevivência dos doentes com doença coronária”, acrescentando que os estudos realizados relativamente à terapêutica atual, “não conseguiram corroborar claramente as vantagens deste procedimento sobre a terapêutica médica otimizada”.

A investigadora afirma que o objetivo deste projeto, que tem a duração de dois anos, é “investigar, desenvolver e validar novos biomarcadores na área da imagem molecular que permitam a estratificação do risco, bem como o tratamento apropriado dos doentes CTO”, sublinhando de que se trata de um projeto inovador na área de saúde, que propõe melhorar e individualizar práticas clínicas de excelência, indo ao encontro de uma medicina personalizada.

A equipa vai explorar as alterações da perfusão miocárdica, nomeadamente a extensão da área de miocárdio isquémico/viável, que ocorrem perante uma situação de CTO. Essas alterações, clarifica Maria João Vidigal, “são condicionadas por múltiplos fatores que se associam à obstrução coronária, entre os quais se pode destacar o desenvolvimento de circulação colateral, angiogénese, e a disfunção endotelial”.

“Embora a angiogénese seja um processo complexo, a sua relação com a expressão de integrinas αvβ3  na membrana celular já foi demonstrada. No entanto, a relação entre a presença de circulação colateral numa CTO e o benefício da revascularização parece fundamental, mas ainda não foi explorada de forma plena. Com este projeto pretende-se desenvolver um novo marcador, de seletividade melhorada para as integrinas αvβ3, que possa ajudar a caracterizar in vivo o processo de angiogénese coronária”, explica.

Em paralelo, este estudo visa “poder disponibilizar metodologia de caracterização das CTO, através da utilização de PET-CT (Tomografia por Emissão de Positrões-Tomografia computadorizada), que permita incluir, na abordagem habitual desta situação clínica, novos parâmetros de imagem que facultem uma seleção melhorada de cada doente para revascularização, procedimento não isento a riscos e com custos significativos”, acrescenta.

A coordenadora do projeto “BioImage2CTO” nota ainda que a prevalência da doença coronária tem vindo a aumentar, “consequência da adoção de estilos de vida pouco saudáveis e do envelhecimento progressivo da população, sendo consideráveis os custos envolvidos com o seu diagnóstico e tratamento”.

Um ano depois…
Editorial | Susete Simões
Um ano depois…

Corria o ano de 2020. A Primavera estava a desabrochar e os dias mais quentes e longos convidavam a passeios nos jardins e nos parques, a convívios e desportos ao ar livre. Mas quando ela, de facto, chegou, a vida estava em suspenso e tudo o que era básico e que tínhamos como garantido, tinha fugido. Vimos a Primavera através de vidros, os amigos e familiares pelos ecrãs. As ruas desertas, as mensagens nas varandas, as escolas e parques infantis silenciosos. Faz agora um ano.

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