Investigadores do Porto em rede para melhorar formação sobre cancro pulmonar
DATA
16/04/2021 16:11:27
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Jornal Médico
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Investigadores do Porto em rede para melhorar formação sobre cancro pulmonar

Investigadores do Centro Hospitalar Universitário do Porto integram uma rede, juntamente com investigadores espanhóis, colombianos, argentinos e peruanos, que visa melhorar as perspetivas e promover a educação e formação contínua do cancro do pulmão.

Em comunicado, o Centro Hospitalar Universitário do Porto explica que a “Rede Ibero-americana de Cancro do Pulmão” (REDICAP) tem o intuito de unir “sinergias para melhorar as perspetivas do tumor com maior mortalidade do mundo”, noticia a agência Lusa.

Contextualizando o tema, o cancro do pulmão é uma das principais causas de morte “silenciosas” do mundo, originando quase “três mortes por minuto, terminando 4000 vidas por dia e 1,59 milhões de vidas a cada ano”. Em Espanha e Portugal, o cancro do pulmão afeta mais de 30 mil pessoas anualmente e na América Latina é a causa de pelo menos 60 mil mortes anuais, representando 12% das mortes por cancro nessa região.

Em 2020, foram diagnosticados 5420 novos casos de cancro de pulmão em Portugal e perto de 4800 pessoas morreram vítima da doença.

“É necessário melhorar a deteção, o tratamento e a prevenção da patologia e, por isso, os especialistas esperam que a aliança REDICAP também desenvolva o seu trabalho como órgão consultivo em termos de linhas estratégicas de atuação”, afirma a unidade hospitalar.

Para os especialistas da rede, os principais desafios associados a esta patologia são “melhorar a informação sobre o impacto do consumo de tabaco, sendo que o aumento da mortalidade de mulheres com este cancro é uma preocupação especial”. Por esse motivo, o diagnóstico precoce e o acesso dos pacientes a tratamentos inovadores são fundamentais para aumentar a sobrevivência.

O diretor do serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar e representante português da rede, António Araújo, afirma que a criação desta rede de estudo no cancro do pulmão “é de extrema importância”.

“Os problemas que enfrentamos a este nível, pela similaridade dos povos, da língua e do comportamento são muito sobreponíveis e requerem ações semelhantes. Esta rede vai permitir-nos ganhar consistência nas nossas posições, desenvolver ações com maior impacto a nível dos médicos e das populações, homogeneizar o estudo, o ensino e o tratamento do cancro do pulmão e sermos mais audíveis pelos decisores políticos, no que toca a políticas que envolvam o tabaco e este cancro”, salienta o médico.

A REDICAP é presidida pelo Grupo Espanhol de Cancro de Pulmão (GECP), nomeadamente pelo Diretor do Serviço de Oncologia do Hospital Universitário Puerta de Hierro de Madrid, Mariano Provencio. A rede conta ainda com o Chefe da Oncologia Torácica do Instituto Alexander Fleming de Buenos Aires, Cláudio Martin, e do Diretor médico da Clínica Aliada de Lima, Carlos Carracedo.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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