Movimento Saúde em Dia indica que PRR negligencia a recuperação de doentes não-Covid
DATA
02/03/2021 14:19:01
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Jornal Médico
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Movimento Saúde em Dia indica que PRR negligencia a recuperação de doentes não-Covid
O Movimento Saúde em Dia, uma iniciativa da Ordem dos Médicos (OE) e da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) verificou que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), negligencia a recuperação de doentes não-Covid e falha visão estratégica para o futuro do sistema de saúde.

 

Os dados dados partilhados por este movimento com base no Portal da Transparência, dão conta de “menos 7,8 milhões de consultas médicas presenciais nos cuidados de saúde primários, menos 3,6 milhões de contactos presenciais de enfermagem, menos 1,3 milhões de consultas hospitalares, menos 126 mil cirurgias e menos 25 milhões de meios complementares de diagnóstico e terapêutica em 2020, dados aos quais se juntam as mais de 169 mil mulheres com rastreio ao cancro da mama  e as mais de 140 mil com o rastreio ao cancro do colo do útero por realizar, assim como mais de 125 mil portugueses sem rastreio ao cancro do cólon e reto”, pode ler-se em comunicado.

A OE e a APAH reiteram que “sendo a área da saúde uma das mais afetadas pela pandemia, e tendo o PRR disponíveis cerca de 14 mil milhões de euros, com um período de execução até 2026, tornava-se essencial compreender de que modo é que as verbas disponíveis poderiam ser utilizadas na reforma do sistema de saúde”.

No entanto, acrescentam que “o que se faz é aproveitar os fundos europeus para concretizar promessas antigas, algumas já iniciadas e projetadas há 15 anos, perdendo-se a oportunidade de responder aos imensos desafios que se apresentam ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que a pandemia veio evidenciar”.

Enquanto parceiro do SNS, o movimento elaborou um conjunto de medidas para um plano de recuperação, a incluir no PRR ou noutro mecanismo de financiamento nacional. “Identificar as áreas e os doentes prioritários a recuperar, através da análise dos dados dos Cuidados de Saúde Primários, aumentar o acesso a todos os cuidados de saúde, através de um Programa Excecional para a resolução de listas de espera e emitir credenciais eletrónicas para realização de rastreios oncológicos no setor convencionado”, enumeram as entidades, em nota enviada.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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