ICBAS e Hospital Santo António apostam em doentes virtuais para ensino clínico
DATA
26/02/2021 18:06:24
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



ICBAS e Hospital Santo António apostam em doentes virtuais para ensino clínico

Alunos e médicos do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS) e do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP) vão treinar em doentes virtuais, num projeto que adapta o ensino às contingências da pandemia.

Em comunicado, o ICBAS explica que “em causa está a plataforma ‘Body-Interact’ (corpo interativo, em português), num simulador virtual a três dimensões do ser humano, que hoje foi apresentada aos jornalistas no Centro Materno Infantil do Norte (CMIN), uma das estruturas do CHUP que também integra o Hospital de Santo António”.

Além dos alunos do 3.º ao 6.º ano do ICBAS, num total próximo dos 600 estudantes, também médicos em formação ou especialistas do CHUP que queiram treinar novas técnicas terão acesso às mesas de simulação que custaram cerca de meio milhão de euros.

“Neste momento existem constrangimentos no acesso dos alunos e ao contacto com os doentes [devido à covid-19] e, assim, têm oportunidade de, antes de passar ao doente, passar pela simulação. Adequamos o ensino aos tempos atuais, mas isto é algo para ficar”, afirma o presidente do conselho de administração do CHUP, Paulo Barbosa.

“Já o fazíamos com outro tipo de técnicas e outro tipo de simuladores, mas este é um passo em frente. Ninguém pensa em meter-se num avião, sem que o piloto antes não tenha feito simulação”, acrescenta.

O responsável sublinha ainda que a plataforma possibilita o acesso “a mais histórias e práticas clínicas do que acontece no terreno, onde nem sempre há doentes disponíveis para práticas em todas as patologias”.

Já o diretor do ICBAS, Henrique Cyrne Carvalho, destaca que os alunos terão “acesso à plataforma através dos seus telefones e ‘tablets’”, pelo que “poderão entrar num determinado cenário e treiná-lo em casa”.

“O resultado não é sempre o sucesso. Se for mal orientado, vai ser o insucesso, mas insucesso em simulação é formativo. Este é um acréscimo ao modelo formativo que nesta fase é particularmente importante porque as condições do ensino e da aprendizagem se modificaram”, refere o diretor.

Contudo, “nem todo o ensino de medicina passou para a vertente à distância, uma vez que alguns estudantes de ciclos e estágios específicos mantêm as aulas práticas”, conclui.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

Mais lidas