Associação chama a atenção para a importância dos cuidados paliativos
DATA
20/01/2021 09:36:51
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Jornal Médico
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Associação chama a atenção para a importância dos cuidados paliativos
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) alertou para a necessidade, mesmo havendo uma pandemia, de se cuidar de “todos os doentes”, e salientou que os cuidados paliativos “não podem deixar de existir”.

Referindo-se à “situação gravíssima” do país decorrente da pandemia de covid-19, a presidente da APCP, Catarina Pazes, disse à Lusa que o mais importante “é tratar toda a gente de forma adequada” e que aquilo que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) deve providenciar é que todos os doentes “sejam tratados da melhor forma possível, face às suas necessidades”.

E acrescentou: “os cuidados paliativos não podem deixar de existir”.

Num comunicado a APCP defende que na fase atual decorrente da pandemia devem ser reunidos esforços no sentido de descentralizar os cuidados dos hospitais, aliviando os serviços de urgência e “garantindo a adequação de cuidados aos mais frágeis e vulneráveis”.

“A APCP entende ainda como inaceitável quer a mobilização de profissionais especialistas nesta área, já por si tão deficitária em Portugal, quer o encerramento de serviços de cuidados paliativos, numa fase em que a sua resposta é ainda mais prioritária”, adianta.

Catarina Pazes disse que está a haver esse desvio de profissionais “como se os cuidados paliativos não fosse uma área essencial nesta fase”, e alertou que os doentes em fim de vida precisam não só de um alívio de sintomas, mas de outros apoios, nomeadamente psicológico.

Catarina Pazes referiu também a importância do apoio às famílias desses doentes e disse que devido à covid-19 “as visitas estão muito condicionadas” e que “há locais onde estão proibidas”.

A responsável considerou também “incompreensível” que a Comissão Nacional de Cuidados Paliativos esteja sem liderança há quase um mês, e apelou a uma rápida resolução da situação por parte do Governo.

E defendeu como fundamental a inclusão das equipas de especialistas em cuidados paliativos na estratégia de resposta à situação de pandemia.

E precisamente devido ao alastrar das infeções com o novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, o SNS devia, disse a responsável, pensar numa solução que passe por muitos doentes em situação de doença avançada e em fim de vida serem cuidados nas suas casas, dada a falta de resposta hospitalar.

Catarina Pazes lamentou que o estatuto do cuidador “ainda não seja real” e concluiu: “estamos agora a pagar caro as nossas fragilidades”.

No comunicado a associação diz que é urgente “que se priorizem equipas que facilitem os processos de tomada de decisão antecipada e se invista nos cuidados de proximidade”, e considera crucial o papel das equipas de cuidados paliativos a nível hospitalar, “nomeadamente no planeamento e assessoria nas tomadas de decisão, definições estratégicas e questões éticas”.

“Assumir os cuidados paliativos como uma resposta da linha da frente entende-se como uma mais-valia não só para cada doente e família como também para o SNS como um todo”, diz-se ainda no comunicado.

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Editorial | Joana Romeira Torres
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A Organização Mundial de Saúde alude que os Cuidados de Saúde Primários (CSP) são cruciais para a obtenção de promoção da saúde a nível global. Neste sentido, a Organização Mundial dos Médicos de Família (WONCA) tem estabelecido estratégias que têm permitido marcar posição dos mesmos na comunidade médica geral.

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