Reumatologistas defendem a necessidade de programa prioritário para doenças reumáticas
DATA
11/01/2021 09:57:50
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Jornal Médico
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Reumatologistas defendem a necessidade de programa prioritário para doenças reumáticas

A Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) alerta para a urgência de um programa nacional prioritário para as doenças reumáticas e musculoesqueléticas na década de 2020-2030, avisando que a pandemia está a fazer aumentar estas doenças.

A presidente da SPR, Helena Canhão, avisa que os reumatologistas cada vez têm mais doentes a queixarem-se, por falta de computadores e cadeiras adaptadas ao teletrabalho, têm mais artroses e, adverte para a necessidade de um diagnóstico adequado associado à fisioterapia para evitar repercucões futuras. 

“Mesmo os adolescentes estão mais sedentários, não vão atingir o pico de massa óssea, vai haver mais osteoporose, mais fraturas. Os idosos estão mais em casa a perder massa muscular e massa óssea e tudo isto acaba por diminuir a autonomia, ter influência na qualidade de vida e também na saúde mental”, explica.

Helena Canhão afirma que “as tendinites e as dores cervicais e lombares estão aumentar imenso” e recorda que os idosos, antes da pandemia, ainda faziam alguns passeios que ajudavam a manter a mobilidade.

“Os idosos faziam algumas compras e davam os seus passeios e agora estão muito mais isolados, por causa da pandemia, perdem massa muscular, ficam mais desequilibrados, caem mais, aumentam as fraturas e tudo isto aumenta as outras complicações e aumenta a mortalidade. A maior parte dos idosos que tem fraturas ou fica dependente ou morre”, acrescenta.

A especialista sublinhou a necessidade de “voltar a chamar a atenção para estas doenças, nos cuidados de saúde primários – sobretudo nas áreas da reumatologia, ortopedia e reabilitação – e para a prevenção e diagnostico”.

“É preciso começar a pensar nisto: estas doenças causam dor e quem tem dor não dorme bem e isso vai depois contribuir para a ansiedade e para a depressão”, alerta considerando que se devia agora aproveitar, uma vez que estão a ser redefinidos os próximos programas prioritários, e incluir as doenças reumáticas e musculoesqueléticas.

Houve um Programa Nacional para as Doenças Reumáticas, entre 2004 e 2014, altura em que se fez um estudo epidemiológico nacional e se caracterizaram estas doenças. Mas depois, como ainda estavam a fazer efeito os alertas deixados pelo trabalho realizado, não voltou a existir.

A especialista, que é professora de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, cita o relatório do Retrato da Saúde 2018 para frisar o peso que as doenças reumáticas e musculoesqueléticas têm na população portuguesa, sublinhando também o peso económico e social, uma vez que a dor crónica provoca muitas ausências ao trabalho e perda de algumas capacidades.

Segundo o Retrato da Saúde 2018, as doenças musculoesqueléticas (lombalgias e cervicalgia), assim como a depressão, as doenças da pele e as enxaquecas, são os problemas de saúde que mais afetam os portugueses.

Sobre o acesso à especialidade, Helena Canhão lembra que, apesar da rede de referenciação ter previsto reumatologistas em todos os hospitais, neste momento, mesmo havendo especialistas, “os serviços que têm muitos continuam a ter cada vez mais” e nos hospitais mais recentes, onde não havia, é muito difícil ter reumatologistas, como acontece com o Hospital Amadora Sintra, por exemplo”.

O subdiagnóstico é outro dos problemas apontados, com a presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia a sugerir uma maior aposta na formação dos médicos de família nestas áreas para que possam ensinar aos doentes, por exemplo, a prevenir alguns problemas e a evitar a dor.

“É importante que as pessoas perceberem que o aparelho musculoesquelético é a base da nossa locomoção e da nossa autonomia”, disse a presidente da SPR, defendendo uma melhor articulação entre os cuidados de saúde primários e hospitalares.

Para alertar para a importância de ter, como prioritário, novamente, um programa nacional para as doenças reumáticas e musculoesqueléticas, a SPR, juntamento com outras sociedades, vai alertar a Direção-Geral da Saúde e o Ministério da Saúde.

Helena Canhão diz ainda que este programa deve estar interligado com os programas para o estilo de vida saudáveis (alimentação, exercício físico e envelhecimento ativo) e apostar no diagnóstico precoce, na prevenção e também na reabilitação.

“Há imensos idosos que depois de terem fraturas já não voltam a levantar-se. No norte da Europa é nisso [reabilitação] que se investe”, afirmou a especialista, lembrando que não basta estender o tempo de vida das pessoas.

Estas doenças “podem não causar a mortalidade do cancro e das doenças cardiovasculares, mas em termos de qualidade devida são das mais importantes, tanto para a produção das pessoas como para o absentismo laboral”.

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
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Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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