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Rui Tato Marinho: “O novo gastrenterologista é o novo João Semana”
DATA
04/01/2021 09:34:50
AUTOR
Jornal Médico
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Rui Tato Marinho: “O novo gastrenterologista é o novo João Semana”

“O novo gastrenterologista é o novo João Semana”. É assim que responde o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), Rui Tato Marinho, a propósito do título da sua intervenção no GastroDigest2020 – “O novo gastrenterologista e o novo médico de família”. 

E justifica: “Um médico que saiba o máximo sobre a evidência científica, as inovações, a tecnologia, mas que, ao mesmo tempo, mantenha a empatia, o humanismo e o conhecimento global do seu doente, na vertente física, mental e social”. Afinal, “os doentes não são ‘órgãos’, são pessoas globais”.

“Temos liderado a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia com a visão de que é uma Associação Científica de Utilidade Pública em que tem como missão, entre outras, a informação da população em geral e a aproximação aos vários ‘stakeholders’. Apostámos na comunicação, relações públicas, na literacia em saúde, interação com o meio jurídico, tecido empresarial e colegas de outras especialidades”, enquadra. Neste contexto, dá conta de que “os cerca de 500 especialistas do aparelho digestivo, os Gastros, têm, de uma forma global, uma tripla atividade: fazem exames únicos, veem o corpo humano por dentro e em muitas ocasiões assemelham-se a cirurgiões. São as endoscopias, as colonoscopias, etc.”. Advoga que “todos os portugueses devem passar um dia pelas mãos do gastrenterologista, quanto mais não seja pela realização pelo rastreio do cancro do cólon, que deve ser obrigatório a partir dos 50 anos”. Em Portugal fazem-se quase 500.000 colonoscopias por ano.

Em segundo lugar, lidam com as doenças mais graves, com forte impacto em Portugal: um terço de todos os cancros pertencem ao aparelho digestivo, são os denominados ‘Big Five’ – esófago, estômago, fígado, pâncreas, cólon e reto – que são responsáveis pela morte de 10% dos portugueses. Acrescenta que três doenças do aparelho digestivo integram o top 10 da mortalidade, referindo-se ao cancro do estômago, ao cancro do cólon e reto e às doenças do fígado (cirrose e cancro do fígado).

Por último, Rui Tato Marinho destaca que estes especialistas lidam com entidades muito frequentes ou com elevado peso económico: síndroma do intestino irritável (1 milhão), obstipação (2 milhões), doença de refluxo (3 milhões), litíase biliar (1,5 milhão), entre outras, como a colite ulcerosa e a doença de Crohn, que afetam cerca de 20.000 portugueses, habitualmente adultos jovens.

“No meu entender, o Médico de Medicina Geral e Familiar (o médico de família) é o pivot de todo e qualquer sistema de Saúde. A qualidade científica, humana e profissional dos médicos tem vindo a melhorar de forma substancial ao longo dos últimos anos. Assim como em todas as especialidades…”, afirma. E sublinha que “a MGF, incluindo todos os profissionais e as estruturas, são das melhores do Mundo, embora por vezes não o pareça”. E isto porque “há um grande problema na comunicação do que se faz de positivo”.

Como melhorar a articulação entre os gastrenterologistas e os especialistas de MGF? O presidente da SPG defende que isso se consegue através dos canais formais e informais, incluindo a interação pessoal. “Não é difícil a aproximação. O problema reside na gestão do tempo, escasso e muitas vezes ocupado involuntariamente por tarefas burocráticas em excesso. É um facto”, comenta.

No que toca à referenciação, afirma que as modernas tecnologias permitem, se forem bem aproveitadas, tornar esse processo mais célere. “Estamos num tempo de grandes mudanças, mas também de grandes oportunidades de melhoria. Os números são muito fortes: por exemplo, no Centro Hospitalar Lisboa Norte fazem-se quase 25.000 consultas por ano. Há canais formais bem estabelecidos entre as duas vertentes, Medicina Geral e Familiar e Gastrenterologia, até com vários graus de prioridade. É óbvio que tentamos fazer sempre melhor”, refere.

A propósito, Tato Marinho deixa uma palavra para a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), considerando que “tem tido uma dinâmica muito acima da média, com intervenção quase diária no cenário da comunicação social, intervenção nas políticas de saúde”.

Na sua opinião, as iniciativas de aproximação devem ser múltiplas e uma delas pode assentar na realização de reuniões conjuntas de interação, informação e formação múltiplas. “Nesse sentido iniciámos, aquando da Semana Digestiva em 2017, o chamado GastroDigest, um espaço de network e interação dando conta à equipa MGF das novidades e do estado da arte de algumas entidades do aparelho digestivo. Desde o início que o conteúdo é pensado e colocado em prática de forma partilhada. É um gosto e um prazer colaborar e outras iniciativas se seguirão dentro em breve”, declara, agradecendo a Rui Nogueira, presidente cessante, e a Nuno Jacinto, presidente eleito da associação, bem como a Rubina Correia, que, com ele, participou na mesma sessão do GastroDigest, bem como a todo o secretariado da APMGF.

A mudança necessária
Editorial | Jornal Médico
A mudança necessária

Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.

Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.

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