“Imaginemos que estamos em 2030 e agarremos agora o futuro da Dermatologia”
DATA
11/11/2020 15:00:00
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS




“Imaginemos que estamos em 2030 e agarremos agora o futuro da Dermatologia”

Pensar o futuro da Dermatologia foi o objetivo do Derma Innovation Summit, uma iniciativa promovida pela Novartis, com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), que decorreu no passado dia 10 de outubro. A clínica, o doente e a referenciação do futuro estiveram no centro desta reflexão que os participantes descreveram como “muito criativa” e “fora da caixa”, por se ter baseado na inovadora metodologia de design thinking, que todos consideraram “extremamente útil na identificação de soluções e possíveis caminhos a seguir”.

Assista aos destaques do evento, no vídeo:

“Vamos imaginar que estamos em 2030 e vamos agarrar o nosso futuro e tomá-lo desde já nas nossas mãos”.

O repto foi lançado pelo dermatologista Manuel Campos no arranque do Derma Innovation Summit e serviu de fio condutor a toda a manhã de reflexão “fora da caixa”.

Numa intervenção intitulada “Owning the future”, o médico focou-se na “preocupação com o futuro”, salientando que “o que irá acontecer nos próximos anos, nada tem que ver com o passado e temos que ter a capacidade de agir da forma mais adequada, nunca deixando de prestar o cuidado médico ao doente da melhor forma possível”.

Tendo já participado num evento semelhante na sede da Novartis, em Basileia, Manuel

Campos salientou como mais-valias do mesmo “a informalidade e o método utilizado”. De acordo com o clínico, o design thinking permite, “através da experiência de cada dermatologista, identificar falhas/problemas, quer na abordagem com o doente, quer na referenciação por parte do médico de família. E, ainda, tentar arranjar uma solução para esses problemas”.

À Novartis, Manuel Campos reconhece a capacidade de ser o “carvão” que pega nas ideias e, num médico/curto prazo, arranja soluções que respondam às necessidades do médico e do doente, que melhorem a prática clínica e a referenciação entre especialidades, adequando as mais exequíveis e com maior benefício à realidade presente e futura.

Questionado sobre o que se pode esperar da inovação tecnológica em Dermatologia, o médico salientou que esta vai, indubitavelmente, passar pelo desenvolvimento e aplicação de inteligência artificial (IA), quer no diagnóstico, quer no acompanhamento, quer na orientação dos doentes, assim como pela ligação mais frequente e eficaz (ainda que mais virtual e menos presencial) do médico ao doente. Algo que, no entender do dermatologista, foi uma lição que a atual pandemia trouxe à prática da Medicina.

No que diz respeito à aplicabilidade na prática da Dermatologia das tecnologias que surjam no futuro próximo, Manuel Campos admite que “as áreas mais específicas vão ser a oncologia dermatológica, sem dúvida, onde não só já têm aplicabilidade, como ainda têm muito por onde crescer”. Também na triagem do doente as ferramentas tecnológicas serão imprescindíveis, advoga, “nomeadamente na estratificação da urgência, através da análise de uma imagem, por exemplo, que nos permite avaliar logo qual o especialista que deve ver aquele doente (dermatologista ou médico de família) e referenciá-lo de forma mais rápida e eficiente”.

Pensar o presente para imaginar o futuro

O formato inovador do Derma Innovation Summit foi elogiado também pelo dermatologista Pedro Mendes Bastos. “Estamos muito habituados a fazer clínica, mas a pensar pouco sobre ela. O design thinking é uma abordagem que não é ensinada nem praticada nas faculdades de Medicina, mas que nos permite ser criativos na resolução de problemas e na procura de soluções. No fundo, permitiu-nos, neste evento, pensar o presente para imaginar o futuro”, considera o especialista.

“Os médicos são analíticos. Somos treinados para pensar os problemas de uma forma muito racional, porque temos que ajudar as pessoas e gerir recursos, em simultâneo. Quando temos oportunidade de deixar fluir a imaginação e pensar criativamente com vista a um objetivo prático, acho que o resultado é francamente positivo”, sublinha, concluindo que, “nesse sentido, [o Derma Innovation Summit] trouxe inovação aos encontros médicos, porque não é todos os dias que temos a possibilidade de imaginar o futuro de uma forma tão aberta e tão criativa.”

De acordo com o médico, “a Dermatologia é uma especialidade que, nos últimos anos, se tem vindo a reinventar e que tem assistido a uma grande inovação a vários níveis, desde logo no que diz respeito às terapêuticas farmacológicas”. O facto de algumas das principais doenças dermatológicas terem uma forte componente imunológica levou a uma enorme inovação a nível farmacológico, a qual tem permitido aos dermatologistas melhorar a vida dos doentes “de uma forma extraordinária”, refere, salientando, porém, que “os principais desafios da inovação na nossa especialidade se prendem com aspetos práticos do dia a dia”.

Segundo este especialista, “não temos que ser cientistas espaciais para inovarmos em Dermatologia. No fundo, só temos que pensar nos problemas do dia a dia e tentar encontrar soluções simples para eles, que vão além da inovação terapêutica”. E identifica alguns, como a dificuldade no acesso a cuidados dermatológicos a nível nacional ou o tratamento das doenças crónicas que ainda não têm soluções inovadoras

 

Principal desafio da Medicina será a proximidade ao doente

No entender de Pedro Mendes Bastos, “os principais desafios da Medicina, em geral, e da Dermatologia, em particular, vão prender-se com a proximidade ao doente”, algo que a tecnologia e IA terá que se esforçar para colmatar.

Atualmente, “já vivemos este paradoxo tecnologia/relação humana, que configura um problema particularmente desafiante para resolver”, sugere o clínico. “Como conseguimos manter a proximidade com o doente sem ocupar mais tempo ao médico? Porque o tempo do médico é um tempo precioso e, hoje em dia, os doentes querem fazer a consulta, mas também querem a pós consulta. Querem chegar a casa, enviar uma mensagem ao médico e que este lhes responda”, questiona-se o dermatologista, sublinhando que “este é um paradoxo muito difícil de gerir”.

É precisamente aqui que, na ótica de Pedro Mendes Bastos, entram a Novartis e as start-ups tecnológicas. “Como empresa muito ligada à inovação, a Novartis tem um papel de guia e de ponte entre os médicos e a inovação. Unir ambas as realidades e pensar que mais vale ser pouco ambicioso na forma, para ser mais ambiciosos no conteúdo. E ver de que forma – através, por exemplo, de soluções simples e apps na ‘ponta dos dedos’ – podemos melhorar processos que prendem o médico em tarefas demoradas e burocráticas”, sustenta o especialista.

MED/295/112020

 

A mudança necessária
Editorial | Jornal Médico
A mudança necessária

Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.

Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.

Mais lidas