Como a autocompaixão pode ser a solução para os estudantes de Medicina
DATA
22/10/2020 18:37:04
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Jornal Médico
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Como a autocompaixão pode ser a solução para os estudantes de Medicina

Uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), liderada por Ana Telma Pereira, está a desenvolver um projeto de investigação que pretende reduzir o burnout nos estudantes de medicina e medicina dentária, através da autocompaixão.

A ideia para o projeto, intitulado “COMBURNOUT”, surgiu do facto de “verificarmos, com a nossa investigação, mas também no contacto com os estudantes, que os alunos de medicina e de medicina dentária têm níveis elevados de stresse, ansiedade e depressão”, afirma Ana Telma Pereira.

As causas para estes elevados níveis de stress são “o ambiente competitivo, a elevada carga horária e a grande quantidade de avaliações e de matérias. Devido à combinação destes fatores, quase metade dos estudantes de medicina e medicina dentária sofre de burnout – significativamente mais do que os estudantes de outras áreas”, afirma a investigadora.

O projeto, que conta com 30 mil euros de financiamento do programa “Academias do Conhecimento” da Fundação Calouste Gulbenkian, é composto por duas fases.

Na primeira fase do projeto, a equipa vai identificar os estudantes em risco para, depois, implementar um programa de intervenção em grupo (maioritariamente em formato online), focado na promoção de competências emocionais, como o mindfulness e a autocompaixão [abordagens terapêuticas que ensinam as pessoas a autorregularem os seus pensamentos e emoções].

Na segunda fase, vai ser realizado um estudo experimental para testar a eficácia desta intervenção, tendo como objetivo final a disponibilização de um programa de intervenção totalmente manualizado e com boas evidências de impacto positivo na redução do burnout e perturbação psicológica.

Segundo a líder do projeto “a equipa é constituída essencialmente por psicólogas com formação e experiência em intervenções deste tipo, e por jovens médicos, que são internos de psiquiatria no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra e assistentes na FMUC”.

O programa ‘Academias do Conhecimento’ da Fundação Calouste Gulbenkian, criado em 2018, destina-se a apoiar projetos que apostem na promoção de “competências para que as crianças e jovens de hoje sejam capazes de enfrentar um futuro em rápida mudança”.

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Editorial | Jornal Médico
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