SPEM e EVITA debatem “ausência de um plano de cuidados de saúde para doentes não-Covid”
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20/10/2020 18:26:16
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Jornal Médico
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SPEM e EVITA debatem “ausência de um plano de cuidados de saúde para doentes não-Covid”
“Deixaram de ser feitos sete diagnósticos de cancro hereditário por dia, simplesmente cancelados e sem data à vista para a sua realização”, é uma das principais conclusões da Convenção Nacional de Saúde (CNS), que juntou dia 16 de outubro, duas associações de doentes.

O tema debatido remete para a “ausência de um plano que permita ao Sistema de Saúde responder às exigências de cuidados de saúde dos doentes não-Covid para o período outono-inverno”.

Os dirigentes e doentes da SPEM (Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla) e da EVITA (Associação de Apoio a Portadores de Alterações nos Genes relacionados com Cancro Hereditário) foram os principais membros presentes na segunda conferência de imprensa da CNS.

Segundo a presidente da EVITA, Tamara Milagre, após o início da pandemia por Covid-19 “deixaram de ser feitos sete diagnósticos de cancro hereditário por dia, simplesmente cancelados e sem data à vista para a sua realização. Estes cancelamentos são particularmente graves se considerarmos que os tempos de espera já eram excessivos antes do início da pandemia”.

Através de dados da GlobalCan, pode-se concluir que este cancelamento ou adiamento dos serviços “representa o cancelamento de 2.764 diagnósticos de doença oncológica, ou seja, cancros preveníeis” resultando, segundo a presidente da EVITA que “estamos a gerar cada vez mais doentes e com um diagnóstico cada vez mais tardio”.

O presidente da SPEM, Alexandre Guedes da Silva, salientou que “se sente abandonando pelo Serviço Nacional de Saúde uma vez que os doentes não-Covid deixaram de ser a primeira escolha, deixaram de estar no centro de um sistema de saúde que tem a obrigação de responder a todos os doentes” e que “as condições do doente crónico em Portugal agravaram-se muito”.

O presidente da SPEM lança um repto ao Presidente da República para que “exerça influência junto do Governo, nomeadamente junto do primeiro-ministro, para que todas as doenças sejam consideradas uma prioridade a combater”.

Ambas as associações afirmam que estão “totalmente disponíveis para integrar grupos de trabalho e fazer parte de reuniões tendo em vista o alinhamento de soluções que permitam uma resposta concreta e em tempo a todos os doentes”.

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Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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