Covid-19: CHULC diz que responde à pandemia e à restante procura em circuitos separados

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) reagiu a críticas sobre a gestão de camas sublinhando que a prioridade é responder à procura associada à Covid-19 mantendo a restante atividade, para responder a todos, com separação de circuitos.

Em comunicado, o CHULC diz que, neste período, a principal prioridade é “responder à procura associada diretamente à Covid-19 e manter toda a restante atividade, de modo a responder à procura associada a outras patologias, sem distinção”.

“Com vista à proteção de profissionais e doentes e a partir da experiência adquirida nos primeiros meses da pandemia, foram definidos, de forma concreta e autónoma, circuitos e áreas de internamento Covid e não Covid”, acrescenta.

O CHULC respondia às críticas do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), que aconselhou os médicos deste centro hospitalar a pedirem “escusa de responsabilidade civil” para manifestar discordância com a falta de condições para a prestação de cuidados de saúde.

“Neste momento, o número de médicos a prestar cuidados a Covid-19 é inferior ao que se registou no período março-julho”, revelou o sindicato, sublinhando que o recente aumento no número de doentes internados com Covid-19 está a ser feito “à custa de camas destinadas a doentes ‘não Covid’ e sem um adequado reforço do número de médicos, colocando em risco a prestação de cuidados” a todos os doentes.

Na resposta, o CHULC diz que os cenários “estão em constante avaliação e atualização, de acordo com o plano de contingência em vigor e também em permanente discussão, acompanhamento e atualização”.

“No CHULC, o processo de gestão de camas é dinâmico. A abertura de camas para doentes Covid acontece de forma progressiva, de acordo com as necessidades”, afirma o centro hospitalar, acrescentando: “Em paralelo, existe uma prática de gestão integrada das equipas, para a qual muito contribui o esforço de todos os profissionais, de forma a garantir sempre a melhor qualidade assistencial a todos os doentes, sem distinção”.

Num comunicado emitido ao início da manhã, o SMZS considerou a gestão de meios do CHULC “avulsa e sem qualquer planeamento” e disse que esta situação “gera grande apreensão por parte dos médicos, que todos os dias veem mudanças na organização dos serviços e um crescimento no número de camas afetas à Covid-19, mas sem o aumento correspondente no número de profissionais”.

Na nota, a estrutura sindical lembrou ainda que, no início da pandemia, a atividade assistencial normal foi suspensa e mobilizados médicos para os serviços Covid e serviços de urgência, uma situação que – diz – “não é agora possível”.

“Tal não é agora possível, uma vez que a maior parte dos profissionais retornou ao seu serviço de origem e trabalho habituais, de modo a recuperar a atividade em atraso e prestar cuidados a doentes não Covid”, acrescentou.

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central inclui os hospitais de São José, Capuchos, Santa Marta, Dona Estefânia e Curry Cabral e a Maternidade Alfredo da Costa.

A mudança necessária
Editorial | Jornal Médico
A mudança necessária

Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.

Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.

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