37.º ENMGF encerra com nota de esperança no futuro da especialidade
DATA
02/10/2020 10:47:01
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Jornal Médico
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37.º ENMGF encerra com nota de esperança no futuro da especialidade

“Muito participado e inovador”. Foi desta forma que o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira, descreveu o 37.º ENMGF, que decorreu entre 21 de setembro e 1 e outubro e, pela primeira vez, num formato exclusivamente online.

No encerramento da reunião major dos médicos de família (MF) portugueses, o responsável congratulou-se com “o sentimento geral de satisfação dos mais de 800 participantes nas 42 sessões realizadas”. Apesar de todos os desafios inerentes à situação atual de pandemia de Covid-19, este sentimento é “um alento para a década que agora iniciamos, cuja antecipação foi o mote inspirador do 37.º Encontro Nacional”. Um futuro que se antevê difícil, mas seguramente repleto de oportunidades, para a Medicina Geral e Familiar (MGF) e para os cuidados de saúde primários (CSP).

“Temos de estar preparados para um novo normal, mas disponíveis para projetar 20-30. E projetar 20-30 é mais do que apenas um momento… é uma tarefa que não será desenvolvida em poucos meses e que não se esgotou numa ou em várias sessões desta iniciativa. É preciso criar um movimento novo para o desenvolvimento da nossa especialidade e um trajeto para uma década, um movimento de aproximação a todos quantos estão envolvidos na evolução da MGF, não deixando ninguém para trás”, referiu Rui Nogueira.

O presidente da APMGF lamentou o facto de o inédito formato virtual não ter permitido o habitual “Encontro de encontros”, mas disse acreditar que “este Encontro de encontros [informais, de partilha de ideias e conhecimento e de convívio] será possível, dentro do ‘novo normal’, em março de 2021”.

Por sua vez, o membro da comissão organizadora e científica do evento e secretário da direção da APMGF, Nuno Jacinto, disse acreditar que o evento, embora diferente daquilo a que os MF portugueses estavam habituados, comportou inovações que importa conservar daqui em diante e muito apreciadas por quem esteve on-line, a participar em debates e workshops ou a apresentar trabalhos.

“Foi um Encontro Nacional diferente, num formato novo, mas nem por isso menos interessante, muito pelo contrário. Será certamente um formato que deveremos explorar nos próximos tempos devido à pandemia em que vivemos, mas vamos continuar a produzir ciência, investigação de qualidade, trabalhos de elevado mérito e a ter discussões que a todos nos enriquecem”, concluiu.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
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É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.