37.º ENMGF: O porquê de uma consulta de dor nos CSP
DATA
30/09/2020 12:44:37
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Jornal Médico
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37.º ENMGF: O porquê de uma consulta de dor nos CSP

A dor é um dos principais motivos de consulta em cuidados de saúde primários (CSP) e, como tal, incontornável na prática clínica dos especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF).

Em 2014, a USF Lethes, que serve cerca de 16 mil utentes e está inserida na Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Minho, criou a primeira consulta em Portugal dedicada à avaliação e tratamento de dor crónica em CSP. Esta consulta é suportada num protocolo de referenciação e atuação baseado na melhor evidência científica disponível e atualizado em 2018.

“Com esta atualização, torna-se possível replicar este modelo e desenvolver uma consulta específica por Centro de Saúde permitindo a criação de uma ‘via verde’ para o tratamento de dor em Portugal”. Quem o diz é Raúl Marques Pereira, médico de família responsável pela consulta de Dor Crónica na USF Lethes e coordenador do Grupo de Estudos da Dor da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), que gostava de ver a sua consulta “fazer escola” a nível nacional. Ainda que não tenha a veleidade de achar que o modelo da consulta que coordena é o melhor modelo, o especialista está certo de que “é um caminho no sentido de melhorar a resposta a estes doentes nos CSP”.

Num simpósio promovido pela Grünenthal, no âmbito do 37.º ENMGF, Raul Marques Pereira partilhou alguns dados sobre a Consulta de Dor Crónica da USF Lethes: sempre que o médico de família faz o diagnóstico de dor crónica a um utente, pode encaminhá-lo a esta consulta para que tenha um seguimento específico ao nível da avaliação e tratamento da dor; o acesso à consulta é rápido (tempo médio de espera de 15 dias) e o utente é acompanhado até ter a dor controlada; a monitorização da evolução clínica é feita através de escalas de dor e de qualidade de vida, validadas para Portugal.

De salientar, ainda, que até ao momento foram realizadas cerca de duas mil consultas, tendo-se verificado que mais de 80% dos utentes da consulta de dor estão muito satisfeitos com esta consulta e que mais de 70% mostraram uma melhoria importante nos scores de dor e de qualidade de vida. Em média o controlo de dor atinge-se em três meses.

Em jeito de conclusão, Raul Marques Pereira deixou uma mensagem aos colegas de MGF: “Vale a pena fazer algo diferente no acompanhamento dos doentes com dor crónica nos CSP”.

O artigo pode ser lido na íntegra já na próxima edição impressa do Jornal Médico.

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade

No ano de 2021, foram realizadas 36 milhões de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, mais 10,7% do que em 2020 e mais 14,2% do que em 2019. Ou seja, aproximadamente, a cada segundo foi realizada uma consulta médica.