37º ENMGF: Custo global com doença aterosclerótica em Portugal equivale a 1% do PIB
DATA
28/09/2020 12:31:28
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Jornal Médico
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37º ENMGF: Custo global com doença aterosclerótica em Portugal equivale a 1% do PIB

O custo global com a doença aterosclerótica em Portugal foi, em 2016, de cerca de 1,9 mil milhões de euros, o que corresponde a aproximadamente 1% do PIB e a 11% das despesas totais de saúde, nesse ano, para Portugal.

Deste total, 16% resulta de cuidados prestados no contexto dos cuidados de saúde primários (consultas e meios complementares de diagnóstico), 16% no ambulatório hospitalar, 10% no internamento, 16% em medicamentos (prescritos em qualquer contexto de saúde) e os restantes 42% por custos indiretos (perda de produtividade por não participação no mercado de trabalho ou absentismo).

As conclusões são de um estudo levado a cabo pelo professor da Catolica Lisbon School of Business and Economics Miguel Gouveia, apresentado no sábado, no âmbito do 37.º Encontro Nacional de Medicina Geral e Familiar, que apurou ainda que em 2016 ocorreram 15.123 óbitos por doença aterosclerótica – 6.887 por doença cardíaca isquémica, 7.592 por doença vascular cerebral isquémica, 25 por doença arterial periférica e 619 por aterosclerose (AS) noutros territórios arteriais –, o que corresponde a 50% das mortes por doenças do aparelho circulatório e a 14% do total de óbitos ocorridos em Portugal Continental.

A AS é uma doença arterial crónica com reconhecido e importante impacto social pela mortalidade e morbilidade associadas às suas manifestações clínicas. “Estima-se que as diferentes manifestações clínicas da AS (AS sintomática) afetem cerca de 740 mil adultos em Portugal Continental”, explicou o economista.

Os resultados do estudo “Custo e Carga da Aterosclerose em Portugal” – uma iniciativa do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE), do Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica e da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, que contou com a colaboração da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), a qual permitiu o acesso ao registo de dados clínicos de adultos com pelo menos uma consulta em cuidados de saúde primários no ano de 2016 – mostram que “a carga total da doença aterosclerótica foi estimada em 260.943 DALY, que equivalem à perda de 3% do tempo de vida de cada adulto em Portugal Continental” e que “a mortalidade prematura é responsável por 75% da carga da doença”.

O médico de família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira, que moderou a sessão, classificou os números apresentados de “aterradores”.

O artigo pode ser lido na íntegra já na próxima edição impressa do Jornal Médico.

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