Procurar ajuda médica para tratar a obesidade é fundamental, alerta SPEO
DATA
06/08/2020 11:56:23
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Jornal Médico
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Procurar ajuda médica para tratar a obesidade é fundamental, alerta SPEO

A Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) alerta para importância de tratar a obesidade, considerando que é apontada como fator de risco para complicações e morte em caso de infeção pelo novo coronavírus, além de estar associada a mais de 200 outras doenças e cerca de 13 tipos de cancros.

Depois de a Diretora Geral da Saúde, Graça Freitas, ter lembrado em conferência de imprensa que a obesidade está associada à mortalidade por Covid-19 mesmo em pessoas jovens, a SPEO sublinha que procurar a ajuda do médico “é fundamental”.

A endocrinologista e presidente da SPEO, Paula Freitas contextualiza que “a obesidade é uma doença que está muitas vezes associada a diabetes, dislipidemia, hipertensão arterial, apneia do sono, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, incontinência urinária, sendo ainda responsável por alterações musculoesqueléticas, infertilidade, depressão, diminuição da qualidade de vida e mortalidade aumentada”.

“Tendo em conta que, muitas vezes, a pessoa com obesidade tem múltiplas patologias associadas, a intervenção médica é a única solução, sendo muitas vezes necessária uma intervenção multidisciplinar”, acrescenta.

Neste sentido, o tratamento da obesidade passará, segundo a presidente da SPEO, por uma combinação da atitude do doente, que deverá procurar ajuda médica, e da resposta dos serviços de saúde, que precisam de ter capacidade de intervenção e acompanhamento próximo.

“O doente com obesidade tem de se rodear de estratégias para o empenho na mudança comportamental e na promoção de um estilo de vida saudável. Ora, isto também requer o empenho dos profissionais de saúde. Estes doentes deveriam ter acesso nos cuidados primários a consultas dirigidas ao tratamento da obesidade ou prevenção da obesidade ou prevenção da progressão para obesidade naqueles com pré-obesidade”, sublinha Paula Freitas.

Descrita como uma “doença complexa”, o tratamento da obesidade requer uma equipa multidisciplinar que inclua o médico, o nutricionista, o psicólogo e também o fisiologista do exercício físico.

Na visão da endocrinologista, “uma das grandes barreiras que o doente com obesidade enfrenta é que muitas vezes os profissionais de saúde, até por limitação de tempo, tratam todas as outras doenças, inclusivamente aquelas que já são consequência da obesidade, mas não abordam o problema da obesidade”. 

Perante este cenário, a SPEO recorda que a Federação Mundial da Obesidade revelou que as doenças relacionadas com a obesidade parecem piorar o efeito da Covid-19, sendo, por isso, fundamental prevenir a infeção em pessoas com obesidade e redobrar os cuidados.

“Além disso, as pessoas com obesidade que adoecem com Covid-19 e necessitam de cuidados intensivos enfrentam desafios acrescidos pois é mais difícil entubar doentes com obesidade, pode ser mais difícil obter imagens de diagnóstico (existem limites de peso nas máquinas que fazem os exames de imagiologia) e estes doentes são mais difíceis de posicionar e transportar pela equipa de cuidados de saúde”, salienta, em comunicado.

Por sua vez, a SPEO indica que a pandemia veio contribuir para um aumento das taxas de obesidade, uma vez que os programas de perda de peso e as intervenções cirúrgicas foram restringidos nos últimos meses.

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Editorial | Jornal Médico
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