Covid-19: APMGF destaca papel dos médicos de família e dos Cuidados de Saúde Primários no combate à pandemia
DATA
16/07/2020 11:23:22
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Jornal Médico
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Covid-19: APMGF destaca papel dos médicos de família e dos Cuidados de Saúde Primários no combate à pandemia

A direção da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) destacou hoje a “enorme capacidade de resposta” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no atual contexto de pandemia, sobretudo, por parte dos médicos de família e das unidades de saúde dos cuidados de saúde primários (CSP).

“Desde 4 de abril – 4.ª semana de pandemia – são seguidos em ambulatório mais de 90% dos casos ativos de Covid; desde 24 de abril – 7.ª semana de pandemia – são mais de 95% dos casos ativos; e atualmente, no fim da 18.ª semana de pandemia, seguimos 96,6% dos casos em CSP”, refere a associação, em comunicado.

Esclarecendo que a “grande maioria” dos doentes são ligeiros e com “evolução favorável”, ou mesmo assintomáticos, a APMGF indica que, ocasionalmente, surgem doentes mais complexos e com maior exigência de cuidados de saúde.

Partindo do facto de a atividade assistencial normal ter sido alterada ou interrompida no SNS em muitas das unidades de saúde para dar resposta específica aos doentes com diagnóstico de Covid-19, a associação considera que a “estratégia de contenção e de mitigação na luta contra o SARS-CoV-2 deu bons resultados em Portugal”.

Recorda, neste sentido, que na Europa e no final da 18.ª semana de pandemia, Portugal é o 14.º em total de casos por milhão de habitantes, o 16.º em óbitos por milhão de habitantes e 12.º em testes realizados por milhão de habitantes.

“Os médicos de família mostram estar à altura do compromisso assistencial e têm sido imprescindíveis neste momento tão difícil para a sociedade portuguesa e para o Serviço Nacional de Saúde”, sublinha a APMGF, acrescentando que “os dados estatísticos e registos oficiais confirmam a noção que temos de resposta a doentes Covid, mas também em relação ao desenvolvimento do desconfinamento, que importa fazer com segurança e determinação”.

Recorrendo a dados disponibilizados pelo Portal do SNS, a entidade refere que a retoma assistencial após a primeira onda pandémica nos CSP tem sido efetiva, com um aumento registado entre abril e junho deste ano, quer em consultas programadas, quer no que respeita às consultas não programadas.

“As consultas não programadas passaram de 540.356 em abril para 890.390 em junho e as consultas não programadas subiram de 1.472.596 para 1.601.039, no mesmo período”, indica.

Frisa ainda que “é importante também verificar que, segundo a mesma fonte, o número total de consultas realizadas nos CSP foi de 14.664.617 no primeiro semestre de 2020, sendo que esse valor em período homólogo de 2019 foi de 15.552.848 consultas, ou seja, verificou-se apenas uma redução de 5,7% no total de consultas realizadas entre os dois períodos homólogos”.

Por outro lado, a APMGF reconhece que são “evidentes e muito sentidas” as dificuldades suscitadas pela pandemia, pela necessidade de reorganização dos serviços para atendimento a doentes Covid e não-Covid, pela exaustão dos profissionais e ausência de recursos adequados em muitos locais, nomeadamente recursos humanos.

“Mas os recursos materiais, como centrais telefónicas, equipamentos informáticos e o sistema de informação ainda em desenvolvimento são ainda insuficientes”, garante, salientando que “estes históricos problemas são conhecidos e sentidos por profissionais e utentes e afetam os CSP, nomeadamente nalgumas regiões do país onde a pressão demográfica é maior, originando listas de utentes sobredimensionadas”.

“Devido ao destacamento de colegas para ajudar nos inquéritos epidemiológicos na região de Lisboa, ou nas Áreas Dedicadas à Covid-19 na Comunidade, a escassez de recursos está a tornar-se ainda mais sentida nestas unidades de saúde, agravando as já existentes e conhecidas assimetrias regionais”, aponta.

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Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
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