Covid-19: Investigadores defendem que Portugal deveria estar nos corredores turísticos da Europa
DATA
08/07/2020 12:24:50
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Jornal Médico
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Covid-19: Investigadores defendem que Portugal deveria estar nos corredores turísticos da Europa

Um estudo desenvolvido pelo Centro de Investigação em Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa defende que decisão do Reino Unido de não colocar Portugal no corredor turístico seguro, devido à Covid-19, carece de “rigor técnico-científico e de transparência”.

Os investigadores Vasco Ricoca Peixoto e Alexandre Abrantes, que analisaram o Barómetro Covid-19 da Escola Nacional de Saúde Pública, referem que o país deveria estar nos corredores turísticos da Europa, uma vez que tem “bons indicadores de risco epidemiológico em relação à Covid-19”, um sistema nacional de saúde com boa capacidade de resposta, boas opções de transporte aéreo, rodoviário e ferroviários, além de ser um estado democrático, de direito, “onde se cumpre a lei a ordem”.

“Interpretar valores de incidência de casos reportados sem considerar outros indicadores de risco epidemiológicos, a distribuição geográfica e sem considerar que diferentes países detetam diferentes percentagens do total real de casos, é errado e levou à adoção de políticas desadequadas que, sem contribuir de forma relevante para prevenir a transmissão, têm consequências negativas a nível socioeconómico, político e diplomático”, afirmam.

Revelado esta manhã, o estudo sublinha que a decisão do Reino Unido tem implicações sócio económicas “fortes” na indústria do turismo e na economia nacional e de regiões específicas, uma vez que é o principal mercado emissor de turistas para Portugal.

À semelhança de outros países, o Reino Unido considera a incidência de Covid-19 – número de casos por 100 mil habitantes – nos últimos 14 dias como o principal critério de risco epidemiológico para comparar a gravidade da pandemia em diferentes países e regiões, e decidir as suas políticas de contenção, nomeadamente para a abertura de fronteiras, esclarecem os investigadores.  

Neste sentido, referem que a análise do risco epidemiológico da Covid-19 deve incluir um conjunto de outros indicadores, nomeadamente, a sub-deteção de casos, a política de testagem, as políticas de testes diagnósticos, a gravidade dos casos – medida pelas taxas de mortalidade, morbilidade, de internamento geral e em unidades de tratamento intensivo – e distribuição geográfica dos casos.

No que concerne à sub-deteção de casos, os investigadores nacionais indicam que estudos realizados pelos Imperial College London e pela London School of Hygiene and Tropical Medicine, estimam que Portugal deteta cerca de 80% dos casos reais de Covid-19, uma percentagem de casos “muito superior” a muitos outros países Europeus.

Entre as conclusões do estudo da Universidade NOVA de Lisboa encontra-se o facto de Portugal ter uma taxa de mortalidade acumulada de 15,8 óbitos por 100.000 habitantes e uma taxa de letalidade de 3,7 % por Covid-19, “taxas que são muito mais baixas do que se registam na Espanha, França, Itália ou Reino Unido na Europa”.

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Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
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