Bolsa Biocodex Microbiota Foundation distingue projeto focado na Espondilartrite e na Artrite Reumatoide
DATA
15/06/2020 11:02:45
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Jornal Médico
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Bolsa Biocodex Microbiota Foundation distingue projeto focado na Espondilartrite e na Artrite Reumatoide

Identificar perfis específicos de microbiota e metabolitos que possam prever melhores terapêuticas para os doentes com Espondilartrite (SpA) e a Artrite Reumatoide (AR) é o objetivo do projeto de investigação que venceu a Bolsa Biocodex Microbiota Foundation.

Designado "MicroSpA & MicroRA: The role of microbiome on biological therapy efficacy in axial Spondyloarthritis and Rheumatoid Arthritis - a new paradigm", o projeto é assinado por dois investigadores da NOVA Medical School – Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa que assinam o trabalho, Ana Faria e Fernando Pimentel-Santos, que vão receber 25 mil euros para o desenvolverem.

Os vencedores da bolsa revelam que o estudo permitirá contribuir para um melhor entendimento de alguns mecanismos fisiopatológicos relacionados com o início da doença e, sobretudo, verificar se existe um perfil de microbiota que possa estar associado à resposta terapêutica.

“O que poderemos perspetivar é uma otimização da prescrição da terapêutica permitindo selecionar a melhor opção para o doente em termos individuais. Evita-se perder tempo e expor os doentes a efeitos secundários de terapêuticas inúteis. Em termos societários teremos uma melhor utilização de recursos”, esclarecem.

De acordo com o estudo EpiReumaPt, a Espondilartrite (SpA) e a Artrite Reumatoide (AR) são duas das doenças reumáticas inflamatórias crónicas mais comuns, com uma prevalência na população portuguesa de 1,6% e de 0,7%, respetivamente.

“Apesar das manifestações clínicas e o decurso da doença serem heterogéneos, estas doenças levam a danos irreversíveis nos ossos e nas articulações, que se traduzem por perda substancial da qualidade de vida”, salientam a NOVA Medical School e a Biocodex Microbiota Foundation, num comunicado conjunto.

Segundo Ana Faria e Fernando Pimentel-Santos, a introdução terapêutica dos inibidores do fator de necrose tumoral (TNFi) tem permitido o controlo da inflamação, mas nem sempre da progressão estrutural.

Apesar disso, explicam que “uma grande percentagem de doentes (cerca de 40%) não responde ou apresenta efeitos adversos a esta terapêutica”. Daí que considerem urgente encontrar fatores preditores de resposta à terapêutica. Partindo do pressuposto de que estes doentes têm uma microbiota distinta, o objetivo deste projeto “é avaliar a influência da microbiota na resposta à terapêutica com TNFi” e, simultaneamente, “perceber de que forma as terapêuticas biológicas modulam a microbiota nestes pacientes”.

Os perfis de microbiota associados a AR e SpA são conhecidos. Em fases pré-clínicas de AR foi descrita uma dominância de espécies de Prevotella. Em doentes com espondilite anquilosante foi recentemente descrita uma elevação de Steptococcus e uma diminuição de espécies com propriedades anti-inflamatórias (Faecalibacterium prausnitzii e Clostridium) em doentes com aumento de calprotectina (um marcador de inflamação intestinal).

Em comunicado, é ainda mencionado que as “alterações no microbiota são, como mostra a evidência científica, uma constante nestas doenças multifatoriais”.

A Bolsa Nacional para Projetos de Investigação 2019/2020 distinguiu “o melhor projeto de investigação em Microbiota Humana na Saúde e na Doença”, tendo tido 32 candidaturas que foram avaliadas por um júri independente constituído pelos membros do Comité Científico da Biocodex Microbiota Foundation (BMF) em Portugal.

O tema da próxima edição (2020/2021) será “Microbiota Gastrointestinal e Sistema Imunitário” e vão poder candidatar-se os clínicos ou investigadores que trabalhem em instituições científicas e tecnológicas portuguesas.

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