Estudo revela que diabéticos que vivem sós ou estão deprimidos aderem pior à terapêutica

Investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde concluíram que os doentes com diabetes que vivem sós, ou estão deprimidos, aderem pior aos tratamentos.

Em comunicado, a FMUP avança hoje que o estudo, publicado na revista portuguesa de Medicina Geral e Familiar, mostra que estar deprimido e viver sozinho são alguns dos fatores “mais associados a uma baixa adesão ao tratamento da diabetes tipo 2”.

No estudo participaram cerca de uma centena de diabéticos, sendo que, em média, os doentes sofriam de diabetes tipo 2 há cerca de 10 anos, tomavam mais de quatro medicamentos diferentes por dia e apresentavam outras doenças, como hipertensão arterial (63%), dislipidemia (46%) e obesidade (38%).

De acordo com a FMUP, cerca de 38% dos participantes não aderiam à terapêutica.

O coordenador do estudo, Paulo Santos, afirma que “os diabéticos com sintomas depressivos ou que vivem sozinhos são os que apresentam pior adesão aos tratamentos”.

Segundo o estudo, esta má adesão ao tratamento aparece associada a níveis significativamente mais elevados de glicose no sangue, traduzidos em valores superiores de hemoglobina glicada, “o que reflete um mau controlo da doença”.

Contrariamente, os diabéticos com hipertensão, que nunca fumaram e que vivem acompanhados, apresentaram taxas mais elevadas de adesão à terapêutica, “evidenciando a importância de determinantes sociais no controlo da doença”.

“Aparentemente, a hipertensão será percebida como uma doença mais grave e, portanto, arrasta consigo uma melhor adesão aos tratamentos neste grupo de diabéticos”, garante o coordenador.

Para Paulo Santos, os resultados obtidos com o estudo “ajudam a perceber quais os doentes em maior risco de não adesão, onde os médicos deverão ter uma atitude proativa de rastreio sistemático do grau de adesão aos tratamentos”.

“Numa perspetiva abrangente, de olhar para a pessoa como um todo e não apenas como o portador de determinada doença”, sublinha.

No documento, a FMUP adianta que se estima que existam 422 milhões de adultos com diabetes, em todo o mundo, calculando-se que, em Portugal, estes doentes representem 13,3% da população, entre os 20 e 79 anos.

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Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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