Ordem dos Médicos diz que reforço de profissionais de saúde é importante mas “incentivos não chegam”
DATA
05/06/2020 16:19:49
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Jornal Médico
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Ordem dos Médicos diz que reforço de profissionais de saúde é importante mas “incentivos não chegam”

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) considerou hoje importante a decisão do Governo de contratar mais profissionais de saúde, mas advertiu que “os incentivos não chegam” e que Portugal é o país da Europa que menos valoriza esta classe.

“As medidas ontem [quinta-feira] anunciadas são importantes. A contratação de mais médicos, mais enfermeiros, mais assistentes operacionais e mais técnicos de diagnóstico e terapêutica é absolutamente fundamental para o funcionamento dos hospitais. Mas os incentivos não chegam. Acho que este é o momento de as pessoas pensarem que estes profissionais de saúde devem ser valorizados”, referiu Miguel Guimarães.

O bastonário da OM, que falava aos jornalistas à saída de uma visita no Hospital de Santo António, no Porto, onde foi conhecer o plano de retoma da atividade programada deste centro hospitalar, frisou que em causa estão “pessoas responsáveis por salvar vidas”.

“Um dos países da Europa em que o trabalho dos profissionais de saúde é mais desvalorizado é Portugal. Se pensarmos na Europa Ocidental, é verdadeiro, ficamos mesmo em baixo”, lamentou Miguel Guimarães.

O bastonário defendeu que “este é o momento de reforçar a capacidade de resposta” de constituir uma “reserva de recursos humanos e equipamentos necessários para dar resposta adequada em situações de stress”, nomeadamente, ao nível dos cuidados intensivos.

“Quando uma situação destas voltar a acontecer – e isto ainda não terminou, mas as coisas estão controladas [referindo-se à pandemia da Covid-19] – termos capacidade de resposta para responder ao mesmo tempo para os doentes não covid”, frisou.

Miguel Guimarães contou, ainda, que teve acesso “há cerca de duas semanas” a dados da Administração Regional de Saúde do Norte sobre doentes à espera para cirurgia e, apontou, “existiam mais doentes à espera para serem operados em fevereiro do que há duas semanas”.

“Isto significa que o número de doentes inscritos para cirurgia, agora, foi extraordinariamente baixo. Quando a senhora ministra da Saúde diz que faltam recuperar 51 mil doentes aos quais adiaram as cirurgias, são os 51 mil que estão em lista de espera, mas durante três meses podíamos ter inscrito 50 ou 100 mil doentes para serem operados e não inscrevemos porque tudo ficou mais ou menos parado”, afirmou.

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