Quebra na vacinação durante pandemia deve-se sobretudo a adultos e adolescentes
DATA
03/06/2020 18:02:50
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Jornal Médico
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Quebra na vacinação durante pandemia deve-se sobretudo a adultos e adolescentes

A coordenadora da equipa do Plano Nacional de Vacinação (PNV) esclareceu hoje que a maior parte da quebra registada no número de vacinas administradas nos meses atingidos pela pandemia da covid-19 "tem a ver com a vacinação de adultos e adolescentes".

Teresa Fernandes, em declarações à agência Lusa, desvalorizou que o número de vacinas administradas em maio tenha caído mais de 40% em comparação com igual mês de 2019, observando que os dados deste ano não abrangem todo o mês de maio, estando incompletos.

A mesma responsável admitiu, contudo, que devido à pandemia os números da vacinação sofreram uma queda, mas vincou que o problema não está tanto na vacinação das crianças até aos 18 meses, mas nas crianças de 5 anos e sobretudo nos adultos e adolescentes, os quais não causa problema adiar um ou dois meses vacinas a administração de vacinas para aquela faixa etária que tem uma validade que chega aos 10 anos.

De todo o modo, e independentemente da leitura dos dados hoje divulgados, a coordenadora da equipa do PNV destacou que desde o início de maio está a ser regularizado o processo de vacinação junto dos centros de saúde de todo o país, apelando para que as pessoas em falta façam a marcação por telefone ou email junto do respetivo centro para tomarem a vacina.

A responsável reconheceu que alguns centros de saúde possam estar "mais limitados" no atendimento, em virtude de eventuais focos de Covid-19 na mesma zona, aproveitando para salientar que a vacinação e os cuidados primários nos centros de saúde têm atendimento separado dos casos de Covid-19. Além disso, estão em curso medidas de higienização e proteção individual nesses espaços.

Quanto à quebra acentuada no número de vacinações em período Covid-19, Teresa Fernandes admitiu também que tal descida poderá ter resultado do facto de as pessoas, com medo de se deslocarem aos centros de saúde durante a pandemia, tenham, muitas delas e sobretudo em Lisboa, adquirido vacinas de venda livre nas farmácias e as tenham administrado através de instituições privadas, razão pela qual ainda não terá havido o cruzamento final dos dados sobre a vacinação dos portugueses.

Segundo a coordenadora da equipa do PNV, durante a pandemia, muitas pessoas podem ter entendido que era "mais seguro irem ao privado" para lhes ser administrado uma vacina, podendo daí resultar "algum atraso nos registos do Sistema Central de Vacinação" em termos de contabilização.

Teresa Fernandes garantiu ainda à Lusa que está "tudo encaminhado" para que os índices de vacinação voltem aos normais e apelou a todos os portugueses que insistam e façam o quanto antes a marcação para serem vacinados nos centros de saúde, onde houve "reforço das linhas telefónicas" para o efeito.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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