Covid-19: Infarmed e DGS suspendem uso de hidroxicloroquina em tratamentos
DATA
29/05/2020 12:42:33
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Jornal Médico
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Covid-19: Infarmed e DGS suspendem uso de hidroxicloroquina em tratamentos

O uso do fármaco hidroxicloroquina em doentes com Covid-19 está suspenso, após uma recomendação conjunta do Infarmed e da Direção-Geral da Saúde (DGS), emitida hoje.

Em comunicado, a Autoridade Nacional do Medicamento refere que foi decidido recomendar a suspensão do tratamento com hidroxicloroquina em doentes com Covid-19 em linha com a decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS), depois da publicação de dados que colocam em causa a segurança e a eficácia deste químico.

Segundo a nota, “a cloroquina e hidroxicloroquina apresentaram resultados promissores em laboratório, por inibirem o SARS-COV-2 ‘in vitro’, parecendo a hidroxicloroquina ter uma atividade antiviral mais potente” tendo a utilização dos medicamentos sido preconizada por diversas linhas de orientação clínica internacionais.

Porém, após um estudo com mais de 90 mil doentes com Covid-19, cujos resultados foram publicados na revista médica britânica The Lancet, a OMS decidiu suspender a inclusão de novos doentes em tratamento com hidroxicloroquina no ensaio clínico global Solidarity, que decorria em vários países e que em Portugal estava em fase de implementação, ainda sem doentes incluídos.

Os autores do estudo dizem “não ter conseguido confirmar o benefício da hidroxicloroquina ou da cloroquina nestes doentes”, apontando um acréscimo de efeitos adversos potencialmente graves, incluindo “um aumento da mortalidade”, durante a hospitalização de doentes com Covid-19.

As conclusões do estudo vão agora ser confirmadas através de ensaios clínicos aleatorizados e controlados, pelo que a suspensão da hidroxicloroquina será revista à luz da revisão do Comité de Monitorização da Segurança da OMS prevista para junho.

A recomendação do Infarmed e da DGS restringe-se ao uso deste medicamento apenas em doentes com covid-19, sublinhando-se que “os doentes que estavam a ser tratados com hidroxicloroquina para outras patologias, doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistémico, artrite reumatoide e malária, para as quais estas moléculas estão aprovadas, não devem interromper o seu tratamento”.

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