MOVA alerta para quebra acentuada na vacinação contra doenças graves
DATA
27/05/2020 11:38:55
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Jornal Médico
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MOVA alerta para quebra acentuada na vacinação contra doenças graves

O Movimento Doentes Pela Vacinação (MOVA) alerta que “a população não se está a vacinar contra doenças graves como a Pneumonia”, apelando a que se retomem práticas de prevenção.

O medo e a falta de conhecimento sobre as consequências dramáticas que podem advir deste absentismo são apontados pelo MOVA como as principais causas para a quebra na taxa de vacinação.

Neste sentido, sublinha a necessidade de “recuperar o tempo perdido e preparar uma eventual segunda vaga de pandemia”, apostando na “robustez” do sistema imunitário de quem está mais fragilizado, nomeadamente, pessoas com mais de 65 anos e doentes crónicos.

De acordo com o MOVA, a pneumonia mata uma média de 16 pessoas por dia, em Portugal, um número que – defende – pode “aumentar exponencialmente”, caso a população não retome rapidamente rotinas como a vacinação contra doenças graves.

"É imperativo que as pessoas se sintam seguras e confiantes no regresso aos cuidados de saúde. Só assim conseguiremos recuperar o tempo perdido e preparar uma eventual segunda vaga de pandemia", destaca a fundadora do MOVA, Isabel Saraiva.

“Embora ainda não haja vacina contra a Covid-19, sabemos que existem muitas outras doenças graves que são preveníveis através de vacinação. Essas, infelizmente, não desapareceram, mas podem, e devem ser evitadas”, conclui.

O MOVA entende que deve ser reforçada a importância da prevenção de outras doenças potencialmente fatais que se podem evitar por vacinação, como é o caso da Pneumonia.

Considera ainda considera urgente a implementação de uma “comunicação assertiva por parte das autoridades”, no sentido de explicar à população os riscos que este decréscimo nas taxas de vacinação representa para a saúde pública, e preparar infraestruturas e serviços para “receber os seus utentes de forma segura, prática e eficaz”. 

Neste âmbito, Isabel Saraiva destaca: “Sensibilizar a população, sim, mas já com a possibilidade de concretização. Temos de recuperar o tempo perdido e preparar um futuro que ainda é incerto. No caso da Pneumonia, corremos riscos de mortes, morbilidades e sequelas graves. Para quê arriscar?”.

Em 2018, a Pneumonia foi responsável 43,4% das mortes por doenças do aparelho respiratório, 5,1% do total de óbitos, em Portugal, recorda o MOVA, sublinhando que a maioria poderia ter sido evitada através de imunização.

A proteção dos grupos de risco através de imunização tem vindo a ser defendida pelo Movimento Doentes pela Vacinação, especialistas e associações de doentes, que apelam à gratuitidade da vacina contra a Pneumonia para as pessoas com mais de 65 anos, à semelhança do que já acontece com a vacina da Gripe.

“No caso da Gripe, os efeitos da gratuitidade são reveladores. Tomemos este bom exemplo e repliquemo-lo com a Pneumonia. Só através da vacinação antipneumocócica poderemos reduzir a média de mortes e internamentos”, conclui Isabel Saraiva.

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Editorial | Jornal Médico
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