Covid-19: Profissionais de saúde testam equipamento de proteção feito a partir de máscaras de mergulho
DATA
15/05/2020 10:17:18
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Jornal Médico
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Covid-19: Profissionais de saúde testam equipamento de proteção feito a partir de máscaras de mergulho

Mais de 40 profissionais de saúde portugueses, de cerca de 20 hospitais, estão a testar um equipamento de proteção individual desenvolvido a partir de máscaras de snorkeling.

Trata-se de um projeto solidário, intitulado 2BREATH e inserido no movimento tech4COVID19, que visa transformar uma máscara de snorkeling em equipamento de ventilação não invasiva para pacientes e em equipamento de proteção individual para profissionais de saúde, no sentido de “ajudar a prevenir uma eventual escassez de equipamentos nas Unidades de Saúde”.

O equipamento já está a ser utilizado noutros países e está agora a ser testado pelos profissionais de saúde nacionais, sendo que a máscara e as suas válvulas – disponíveis para serem testadas por profissionais de saúde especializados – devem ser utilizadas “apenas em caso de emergência”, em situações de falta de equipamento nas unidades de saúde e de acordo com um protocolo uniformizado pela Universidade do Minho.

Ao longo das últimas semanas, o projeto focou-se na melhoria da capacidade de vedação da máscara, no desempenho do filtro, acumulação de CO2 e na sua usabilidade clínica, e as conclusões dos primeiros estudos efetuados foram partilhadas com o Infarmed, de forma a que “esta entidade possa dar um parecer orientador para uma utilização adequada, de acordo com os protocolos médicos”.

Atualmente, as unidades de saúde podem adquirir este equipamento através do site da plataforma e “seguindo todas as indicações sobre o processo de aquisição do equipamento”, sublinham os responsáveis da iniciativa, que estarão também a acompanhar toda a experiência dos profissionais de saúde, percebendo o real resultado e utilidade da solução.

Sobre as motivações e objetivos do projeto, o responsável pelo mesmo e CEO da Positive Benefits, Nuno Frazão, comenta: “Como grupo de voluntários com o objetivo comum de contribuir para o combate à pandemia, organizamos esta resposta de emergência à possível escassez de recursos para ventilação não invasiva de pacientes internados, vítimas da atual pandemia, mas também como potencial ajuda à proteção individual dos profissionais de saúde, que todos os dias combatem a COVID-19”.

“Identificamo-nos, assim, como uma força que está já a pensar num futuro possível, uma vez que o equipamento criado é uma solução de emergência simples e acessível a todos, mas que não deve substituir os materiais e equipamentos oficiais, sempre que estejam à disposição”, salienta.

O projeto, coordenado pela Positive Benefits em Portugal, tem como parceiros a Lusíadas Saúde, no apoio à gestão, suporte clínico e investimento de impacto, a Universidade do Minho, como parceiro clínico para realização dos testes oficiais e protocolo, a Decathlon, enquanto fornecedor das máscaras, as empresas Done Lab, CODI e Tekever, responsáveis pela produção de adaptadores (válvulas), a Luggit, na frente de logística e distribuição, e o Santander, como investidor de impacto. A estas entidades juntam-se ainda outros hospitais, universidades, empresas de engenharia e organizações da sociedade civil.

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Editorial | Jornal Médico
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