Covid-19: OMS afirma que sistema vascular e cérebro são também afetados pela doença
DATA
11/05/2020 09:43:20
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Jornal Médico
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Covid-19: OMS afirma que sistema vascular e cérebro são também afetados pela doença

A Covid-19 provoca reações inflamatórias nos sistemas cardiovascular e cerebral, além das mais frequentes complicações respiratórias, afirmou a Organização Mundial de Saúde (OMS), que defende “vigilância agressiva” com cuidados de saúde pública para controlar a pandemia.

“É obviamente uma síndrome respiratória, mas torna-se claro que numa percentagem das pessoas doentes provoca uma resposta inflamatória mais alargada, seja no sistema vascular, seja em outras partes do corpo”, declarou diretor executivo do programa de emergências sanitárias da organização, Michael Ryan.

Questionado sobre um estudo da universidade de Zurique que aponta para que a Covid-19 provoque uma inflamação sistémica dos vasos sanguíneos do corpo, Michael Ryan afirmou que também estão a verificar-se casos de “encefalite [inflamação do cérebro] e outros efeitos”, em pessoas contaminadas com o novo coronavírus.

“É por isso que é tão importante recolher informação clínica por todo o mundo”, porque “os efeitos vasculares estão aí, são reais e precisam de ser mais estudados”, defendeu, acrescentando que as doenças emergentes que têm surgido “tendem a provocar uma reação muito mais disseminada que pode afetar vários órgãos”.

Por vezes, é preciso passarem “dezenas ou até centenas de anos” para uma doença se tornar “endémica com um órgão a ser mais afetado do que outros”, exemplificando com o sarampo, que é normalmente entendida como uma febre com reação cutânea mas que “numa criança que não foi vacinada, que está mal nutrida”, pode afetar olhos, fígado ou o cérebro e provocar reações “bastante assustadoras”.

Contudo, ressalvou, a Covid-19 “ainda está a provocar principalmente uma síndrome respiratória, tragicamente repetida todos os dias em unidades de cuidados intensivos em todo o mundo”, com “danos comprovados nos tecidos pulmonares”.

Respondendo a outra questão sobre análises às águas residuais para aferir as taxas de anticorpos na população, Michael Ryan afirmou que se está a correr o risco de “procurar respostas para perguntas que não vão resolver o problema” da pandemia.

“Parece que estamos a querer evitar a desconfortável verdade de que precisamos é de regressar ao básico: vigilância baseada nos princípios de saúde pública”, declarou.

“Devemos voltar a onde devíamos ter estado há meses: encontrar casos, rastrear contactos, testar casos, isolar casos, pôr pessoas infetadas de quarentena”, considerou o epidemiologista.

Michael Ryan afirmou que a experiência tem mostrado que os países que conseguiram controlar a pandemia sem precisar de restrições em massa às movimentações da população o conseguiram com “vigilância agressiva seguindo quer os direitos humanos quer os princípios da saúde pública”.

É precisa uma “estratégia completa” para informar as pessoas dos riscos que correm e permitir-lhes reduzi-los e “sistemas de saúde fortalecidos” com capacidade para tratar dos casos que apareçam, defendeu, além de uma vacina, atualmente ainda em investigação.

Nos países que conseguiram controlar com sucesso a transmissão comunitária do vírus, reiterou que é preciso uma transição “lenta e controlada” para sair das restrições aplicadas à população, sob pena de voltarem a acontecer surtos, como no caso de Singapura, onde, referiu, levantadas as restrições, o vírus voltou a atacar, sobretudo em dormitórios onde vivem estrangeiros.

Numa altura em que se aproxima o verão, tradicionalmente altura de concertos e outros encontros de massas, é preciso aceitar que as restrições a grandes concentrações de pessoas terão que manter-se, salientou.

Nesses contextos, “é muito mais difícil garantir a segurança”. Embora não haja nunca “risco zero”, é preciso tomar medidas que “reduzam o risco ao mínimo absoluto e, depois de o aceitar, mitigar o risco que ainda persiste”, advogou.

No caso do desporto de massas, por exemplo, “talvez os jogos possam voltar a acontecer, mas os espetadores tenham que ficar em casa mais tempo”.

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Editorial | Jornal Médico
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