Covid-19: Mutações e transmissão do novo coronavírus estudadas por investigadores do Porto
DATA
27/04/2020 12:21:06
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Jornal Médico
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Covid-19: Mutações e transmissão do novo coronavírus estudadas por investigadores do Porto
Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto vão estudar a evolução do novo coronavírus, nomeadamente as cadeias de transmissão e as mutações, com base em amostras de doentes infetados da região Norte.

O objetivo do projeto, desenvolvido no âmbito da linha de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) ‘RESEARCH 4 COVID-19’, é “juntar a informação molecular do genoma do vírus aos dados epidemiológicos e clínicos dos infetados”, avançou a investigadora Luísa Pereira à agência Lusa.

“Como o Norte começou por ser a primeira região infetada no país, no início foi fácil seguir as cadeias de transmissão, só que depois a transmissão começou a ser comunitária, o que se tornou num esforço impossível”, começou por explicar.

Nesse sentido, o projeto, que envolve uma equipa multidisciplinar de clínicos do Centro Hospitalar Universitário de São João e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), liderada por Verónica Fernandes do i3S, vai sequenciar o genoma do vírus com base em amostras de 240 infetados.

Os investigadores, com o propósito de estudar a evolução do novo coronavírus (SARS-CoV-2), vão tentar perceber as diferentes cadeias de transmissão e as mutações que, ao longo do tempo, o novo coronavírus foi acumulando.

“Vamos fazer análises filogenéticas, estudar a evolução do vírus e ver de que modo é que ele foi transmitido ao longo do tempo, entre as várias pessoas, bem como os diferentes ciclos da cadeia e quantas mutações é que ele foi acumulando”, esclareceu Luísa Pereira, adiantando que a equipa vai também comparar os dados com genomas “de todo o mundo que vão ficando disponíveis”.

Esta junção de dados permitirá “perceber qual a estirpe do vírus que está em transmissão na região Norte do país, o que pode ser muito importante quando tivermos, no futuro, vacinas”.

“Estas vacinas estão a ser desenvolvidas em várias partes do mundo, com base no vírus que estão a circular e, podem existir vacinas que são mais efetivas para algumas estirpes do que para outras”, adiantou a investigadora.

Paralelamente, a equipa vai também estudar a “taxa de mutação do vírus”, uma vez que, esta variação pode também ter implicações na futura vacina.

“Se a mutação for de evolução muito rápido é necessária uma vacina todos os anos, como a da gripe A, no entanto, se for de taxa de mutação mais lenta, a vacina poderá ser, por exemplo, de 10 em 10 anos, como é a do Tétano”, exemplificou.

Além disso, os investigadores vão também, com base nos dados clínicos e tendo em conta alguns fatores como a idade, perceber se a manifestação de sintomas está relacionada com a presença de determinada estirpe.

“Nós sabemos que há pessoas que parecem ter sido mais eficientes a transmitir o vírus a mais pessoas do que outras e também queremos estudar isso”, concluiu.

Com um financiamento de 30 mil euros, este é um dos 66 projetos apoiados pela linha de financiamento ‘RESEARCH 4 COVID-19’, que visa responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde.

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Editorial | Joana Romeira Torres
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