Covid-19: Investigação nacional quer determinar efeitos adversos em grávidas e recém-nascidos
DATA
22/04/2020 11:45:50
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Jornal Médico
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Covid-19: Investigação nacional quer determinar efeitos adversos em grávidas e recém-nascidos

Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) vão determinar os “efeitos adversos” da Covid-19 em grávidas e recém-nascidos em, pelo menos, 23 unidades de obstetrícia e neonatologia de hospitais públicos nacionais, a partir de maio.

Para a coordenadora do projeto, Carina Rodrigues, o conhecimento sobre a infeção para estes grupos é “muito limitado e escasso”, sendo, por isso, “fundamental produzir evidência científica”, nesta fase, quer em Portugal, quer a nível internacional.

Desenvolvido no âmbito da linha de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) ‘RESEARCH 4 COVID-19’, o projeto terá início no primeiro dia de maio, com os objetivos de “determinar os efeitos adversos da covid-19 na grávida e no recém-nascido” e de “identificar as práticas adotadas pelas unidades de obstetrícia e neonatologia na gravidez, parto e puerpério”.

Até ao momento, 23 unidades hospitalares, nas áreas pertencentes e de influência da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) e da de Lisboa e Vale do Tejo, manifestaram interesse em participar no projeto e colaborar com a equipa de investigadores.

“Cada hospital vai nomear um médico responsável que será aquilo a que chamamos de investigador local, integra a equipa, mas são clínicos que estão responsáveis e que recrutam as grávidas e lhes fazem o convite à participação”, explicou a Carina Rodrigues, em declarações à agência Lusa.

De acordo com a investigadora, o estudo vai ser conduzido tanto em grávidas infetadas com o novo coronavírus em seguimento, como em grávidas infetadas no parto, sendo a informação recolhida maioritariamente clínica.

A coordenadora do projeto esclareceu: “Vamos recolher informação sobre a gravidez, história obstétrica e a infeção por Covid. A nossa proposta para as grávidas que estão em trabalho de parto e infetadas é que também sejam recolhidas amostras biológicas da placenta, cordão umbilical, líquido amniótico e leite materno. Isso será feito pelos clínicos de obstetrícia”.

Um mês após o parto, a equipa de investigação do ISPUP vai contactar as mães e voltar a fazer-lhes um questionário por telefone e uma avaliação da saúde física e mental das mesmas e dos recém-nascidos.

Carina Rodrigues avançou à Lusa que a equipa, composta por mais três investigadores, pretende produzir um relatório mensal e outro final dirigido ao Ministério da Saúde, Direção-Geral da Saúde e unidades hospitalares com “uma proposta de atuação”.

“O relatório servirá de apoio e tem a vantagem de ser baseado no conhecimento produzido em Portugal”, afirmou, acrescentando que a equipa poderá não ter oportunidade de dar continuidade ao projeto, após os três meses que estarão, garantidamente, no terreno a fazer a recolha de dados.
Com um financiamento de cerca de 15 mil euros, este é um dos 66 projetos apoiados pela linha de financiamento ‘RESEARCH 4 COVID-19’, que visa responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde.

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Editorial | Joana Romeira Torres
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