A ministra da Saúde rejeitou a visão da saúde num “modelo de supermercado”, baseado em vales para utilização no setor privado ou social.
No parlamento, onde hoje será ouvida sobre o Orçamento do Estado para 2020, Marta Temido afirmou que o Governo não acredita num “modelo de saúde de supermercado, baseado em vales, vales consulta, vales cirurgia [etc]”.
As declarações de Marta Temido surgem depois de no sábado o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, ter sugerido, numa entrevista à agência Lusa, a criação de vales consulta para serem usados no setor privado e social quando são ultrapassados os tempos máximos de resposta no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Miguel Guimarães defendeu que o SNS crie “vales consulta” para os casos em que são ultrapassados tempos de espera ou que o Estado comparticipe os exames quando o doente tem de recorrer ao setor privado ou social.
A ideia seria criar para as consultas um mecanismo semelhante ao das cirurgias, em que os doentes recebem um vale para poderem realizar a operação numa entidade privada ou do setor social quando são ultrapassados os tempos clinicamente aceitáveis de espera.
A atual pressão que se coloca nos Cuidados de Saúde Primários (CSP) em Portugal é um presente envenenado para os seus utentes e profissionais de saúde.