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Iniciativa “Dê Troco a Quem Precisa” para garantir acesso a medicamentos prescritos a quem não tem meios financeiros

Arranca hoje a campanha nacional “Dê Troco a Quem Precisa”, promovida pelo Programa Abem: Rede Solidária do Medicamento, da Associação Dignitude, e a decorrer até ao dia 25 de dezembro em mais de 700 farmácias. Com cerca de 12 mil pessoas identificadas pelos parceiros da associação como estando a viver em situação de pobreza e sem possibilidade de comprar medicamentos prescritos pelo médico, a iniciativa apela à doação do troco para um fundo solidário.

“Antes das transferências sociais, há 40% das pessoas em risco de pobreza e, depois das transferências sociais, ainda existem 17,2%”, sublinha a embaixadora do Programa abem, Maria de Belém Roseira, em declarações à Lusa. Ciente desta realidade de “debilidade económica de um conjunto expressivo de pessoas em Portugal”, a representante realça que esta situação afeta pessoas em todas as faixas etárias – 12% dos beneficiários têm idades até aos 18 anos, seguidos de uma “parte substancial de pessoas em idade ativa” e só então os mais idosos.

Lembrando que “os medicamentos prescritos fazem falta ao controlo da doença, seja doença aguda ou crónica”, Maria de Belém Roseira afirma que não abdicar de medicação essencial pode piorar a condição das pessoas. Por este motivo, explica que, mesmo a nível financeiro, este problema se vai traduzir num custo acrescido para o SNS, por ser necessário, aquando a entrada no sistema, outro nível de cuidados e intensidade desses cuidados de saúde. Quanto a esse aspeto, menciona os prejuízos sociais do abandono da terapêutica nos países da OCDE, “avaliados em mais de uma centena de milhões de euros”.

Ao destacar o retorno social e económico da iniciativa, a responsável esclarece que o programa funciona do seguinte modo: “a entidade referenciadora comunica à Dignitude os dados de identificação daquele beneficiário que entende que precisa de apoio e é-lhe atribuído um cartão, com um código de barras, com o qual a pessoa paga os medicamentos [não pagando] na farmácia”. Acrescenta ainda que, através do fundo solidário Abem, constituído com as doações, a rede solidária do medicamento transfere para as farmácias, mensalmente, o montante que lhes é devido em função das despesa que os beneficiários realizaram.

Não concedendo que “haja uma qualquer pessoa que, por carência económica, não consiga aceder aos medicamentos que lhe permitem fazer face aos seus problemas de saúde”, Maria de Belém Roseira considera que é “tempo de a sociedade civil se unir”. Assim, a representante adianta que este é um “programa de responsabilidade social de entidades empresariais, que suportam os custos de estrutura” e que o valor angariado vai para um fundo solidário com gestão e auditoria própria, com o intuito de garantir que o que é doado é “integralmente aplicado no programa”.

Em anteriores campanhas, recolheram verbas na ordem dos 60 mil euros.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.