Um estudo desenvolvido a nível internacional por investigadores da Organização Mundial de Saúde (OMS) conclui que mais de 80% dos adolescentes não atingem os atuais níveis recomendados de atividade física de pelo menos uma hora por dia, com uma intensidade moderada a elevada. Em Portugal, são ainda mais: 84,3% não se exercitam de forma adequada.
Publicado ontem no jornal The Lancet, Child & Adolescent Health, a investigação analisa a prevalência e tendência atual para uma prática insuficiente de atividade física na população adolescente, com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos.
A OMS constata a existência de uma tendência global – em 142 dos 146 países estudados – para uma maior prevalência de graus de atividade insuficientes em raparigas (85%), em comparação com os rapazes (78%). A nível nacional, também é possível observar esta realidade, sendo o hiato ainda maior, sobretudo porque a média de jovens do sexo feminino com níveis inadequados de atividade está acima da média global.
Numa perspetiva de evolução, durante o período considerado, de 2001 a 2016, é possível verificar uma ligeira melhoria no respeitante à prevalência de atividade insuficiente nos rapazes, tendo o número passado de 78,6%, no primeiro ano, para 78,1%, em 2016, em média. No caso das raparigas, a situação está invertida: em 2001, apresentavam níveis de 90% e, em 2016, já chegava aos 90,7%, em média.
A prática de exercício físico está associada a benefícios cardiorrespiratórios, musculares, ósseos e cardiometabólicos, entre outros, permitindo ainda um controlo do peso. Simultaneamente, cada vez mais existe evidência de um impacto positivo no desenvolvimento cognitivo e no processo de socialização. Tendo isso em conta, a organização alerta para a “necessidade urgente de agir” pelo perigo de comprometimento da saúde física e mental a curto e a longo prazo.
Entre as recomendações para combater esta tendência, a OMS refere ser necessário aumentar políticas e programas que se sabem se eficientes na promoção de atividade física nos adolescentes e ainda desenvolver uma ação multissetorial para oferecer mais oportunidades para a prática de exercício, abrangendo diversas áreas, desde a educação, ao planeamento urbano, entre outras.
Os dados de 1,6 milhões de estudantes foram obtidos através de inquéritos nas escolas que consideravam tanto o tempo passado em exercício ativo, seja recreativo ou desportivo, como o utilizado em atividades domésticas, a caminhar, andar de bicicleta e outras formas de transportação, e ainda em educação física.
Este ano está quase a terminar e uma nova década vai chegar. O habitual?! Veremos! Na saúde temos uma viragem em curso e tal como há 40 anos, quando foi fundado o Serviço Nacional de Saúde (SNS), há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções.