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Relatório OCDE: Profissionais de saúde portugueses com salários reduzidos e famílias com gastos diretos aumentados
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07/11/2019 16:31:48
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Relatório OCDE: Profissionais de saúde portugueses com salários reduzidos e famílias com gastos diretos aumentados

O relatório “Health at a Glance”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgado hoje, conclui que os médicos portugueses são dos poucos entre os países da OCDE que viram os seus salários reduzidos entre 2010 e 2017 e que os enfermeiros nacionais estão entre os que menos recebem. A OCDE verifica ainda que as famílias gastaram mais dinheiro na saúde e que 27% dos portugueses recorre a seguros privados.

Os dados apontam para uma diminuição, em termos médios anuais, de 1,3% no caso dos médicos generalistas e de 0,9% nos especialistas, nesse período. Esta situação contrasta com os mais de 30 países analisados, onde houve um aumento geral na remuneração dos médicos desde 2010. O documento destaca a Hungria como um país onde, entre 2010 e 2017, os vencimentos dos médicos especialistas duplicou e o dos clínicos gerais subiu na ordem dos 80%, com o objetivo de reduzir a emigração destes profissionais.

Os enfermeiros viram a sua condição piorar desde a crise económica devido a cortes na despesa pública. Em Portugal, o pior ano foi 2012. Apesar de a maioria dos países da OCDE registar melhorias nos salários dos enfermeiros, em Portugal a recuperação ainda não permitiu atingir os valores de 2010. Portugal está assim entre os sete países onde os enfermeiros recebem menores vencimentos.

Entre 2000 e 2015, o crescimento da despesa em saúde foi globalmente inferior a 1% ao ano, muito afetado pela crise económica e financeira.

Quanto aos gastos das famílias, que o relatório da OCDE também analisou, Portugal é um dos países onde os gastos diretos (exclui o pagamento de impostos) das famílias em saúde cresceu entre 2009 e 2017 – nesse último ano, 28% das despesas nacionais em saúde eram pagas pelos portugueses. Em 2003, este valor ultrapassava em pouco os 20%. Em contrapartida, 65% da despesa nacional com a saúde é assumida pelo Estado.

A OCDE estima que a evolução da despesa em saúde em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em Portugal seja de crescimento em 2% até 2030, alcançando uma despesa em saúde de 9,1% do PIB.

O número de cidadãos com seguros privados também aumentou: em 2017, cerca de 27% dos portugueses tinham um, comparativamente aos perto de 20% em 2000. Este comportamento vai ao encontro da tendência registada durante a última década em 18 dos 27 países da OCDE avaliados.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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