OCDE alerta: Casos de demência em Portugal vão praticamente duplicar
DATA
07/11/2019 12:52:51
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Jornal Médico
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OCDE alerta: Casos de demência em Portugal vão praticamente duplicar

Portugal é um dos quatro países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com maior prevalência de casos de demência entre a população: ligeiramente acima de 20 casos por cada mil habitantes, comparativamente com a média de 15 per capita na OCDE. A informação é do relatório divulgado hoje “Health at a Glance 2019”, da OCDE, que prevê uma duplicação dos casos em 2050.

Como a idade é o maior fator de risco para a demência, os países com populações mais envelhecidas – como Japão, Itália, Alemanha e Portugal, no caso da OCDE – têm maiores valores de prevalência da doença.

Em média, nos 36 países da OCDE analisados, a ocorrência de demência entre as pessoas com idades compreendidas entre os 65 e 69 anos é de 2,3%, valor que dispara para quase 42% quando se considera a faixa etária de 90 ou mais anos.

Esta realidade é preocupante quando se observa a tendência de envelhecimento populacional: a proporção das pessoas com 65 ou mais anos aumentou de cerca de 9% em 1960 para mais de 17% em 2017. Desse modo, e prevendo que este será um dado constante no futuro, a OCDE prevê que o número atual de quase 20 milhões de pessoas a sofrer de demência nestes países mais do que duplique em 2050, “atingindo quase 41 milhões de pessoas nos países da OCDE”.

Por outras palavras, isto significa que em 2050, em média, os países da OCDE terão uma prevalência superior a 20 pessoas por mil habitantes, à exceção da Eslováquia, Israel e Hungria, onde será menor. Por outro lado, o documento aponta para Portugal como estando entre os quatro casos mais graves, a par de Japão, Itália e Espanha, onde a prevalência será superior a 35 por mil habitantes.

Os antipsicóticos têm sido prescritos para reduzir sintomas psicológicos associados à doença. O relatório da OCDE apela a que estes sejam utilizados “apenas como último recurso” por o seu uso inadequado, que “permanece generalizado”, acarretar riscos de saúde. “Reduzir o seu uso excessivo é uma prioridade política para muitos países da OCDE”, menciona a organização.

O documento elabora ainda que, nos últimos anos, pelo menos 25 países da OCDE desenvolveram ou anunciaram planos ou estratégias nacionais para enfrentar o problema e que existe uma “atenção crescente à redução do estigma em torno da demência” e uma “melhor adaptação das comunidades e serviços para atender às necessidades das pessoas com demência”. Não obstante, a OCDE lança o alerta para a necessidade de os sistemas de saúde e da assistência social melhorarem ainda mais os seus cuidados para aumentar a qualidade de vida destas pessoas e das suas famílias.

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