No âmbito da conferência da Semana Europeia de Gastroenterologia (UEG Week), em Barcelona, foi apresentado um ensaio clínico de fase 2 sobre um possível tratamento para a doença celíaca com recurso a uma nanopartícula biodegradável que contém glúten.
O estudo, levado a cabo pela Universidade Northwestern, do estado norte-americano de Ilinóis, sugere que a utilização de nova tecnologia permite induzir uma tolerância imunológica ao glúten nos indivíduos com doença celíaca.
Segundo os cientistas, a nanopartícula biodegradável, com gliadina (principal componente tóxica para as pessoas celíacas), “educa” o sistema imunitário – em particular os macrófagos – a reconhecer o glúten ao ser injetada na corrente sanguínea.
Os participantes que receberam tratamento e uma semana depois consumiram glúten, durante 14 dias, apresentaram uma redução substancial da inflamação – menos 90% –, em comparação com o grupo de indivíduos com doença celíaca que não recebeu a terapêutica.
Está em causa uma possível reversão da doença, que atualmente não tem tratamento disponível, apenas prevenção através da eliminação de alimentos com glúten na dieta. Ao evitar a inflamação, o intestino delgado dos doentes expostos ao glúten, pós-tratamento, fica mais protegido, o que previne lesões.
Os investigadores acreditam ainda que esta nanopartícula poderá vir a ser aplicada para tratar outras doenças autoimunes, como a esclerose múltipla ou a diabetes tipo 1, e alergias, ao utilizar-se na composição as respetivas substâncias desencadeantes da reação imunológica.
Este ano está quase a terminar e uma nova década vai chegar. O habitual?! Veremos! Na saúde temos uma viragem em curso e tal como há 40 anos, quando foi fundado o Serviço Nacional de Saúde (SNS), há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções.