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Investigação: 100 mil euros para projetos na área da medicina
FONTE
Gonçalo Borges Dias
DATA
29/01/2019 15:58:28
AUTOR
Jornal Médico
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Investigação: 100 mil euros para projetos na área da medicina

Os projetos na área do cancro, surdez nas crianças, redução do consumo de álcool, tabaco e outras substâncias nos jovens e ainda os efeitos dos videojogos na motricidade dos adolescentes marcaram a primeira edição dos Prémios de Investigação em Medicina do Tagus TANK.

“As universidades têm a responsabilidade de reconhecer o talento, tanto do ponto de vista académico, como do ponto de vista profissional”, defendeu o reitor da Universidade NOVA de Lisboa, João Sàágua. A seu lado, na Sala dos Atos da NOVA Medical School, estavam presentes o presidente do Conselho de Administração da José de Mello Saúde, Salvador de Mello, o presidente do Comité Científico dos Prémios, António Rendas, subdiretor da NOVA Medical School, Miguel Xavier.

A aliança de 2016 criada entre a José de Mello Saúde e a Universidade NOVA de Lisboa, através do consórcio Tagus TANK - Tagus Academic Network for Knowledge, pretende ser reforçada. Salvador Mello fala em “muito orgulho” e vontade de “continuar a desenvolver mais projetos para unir as duas instituições”.

A primeira edição do concurso, aberto no início de 2018, recebeu dez projetos, dos quais cinco foram selecionados, esclareceu António Rendas. Os PIM têm com objetivo “promover e financiar atividades de investigação clínica dos setores da qualidade e originalidade”, referiu o presidente do Comité Científico.

Para Miguel Xavier, esta iniciativa "é o vivo exemplo de que é necessário fazer, mais do que falar". "Acima de tudo, não chega apenas financiar boas ideias e esperar resultados, é preciso acompanhá-las", defende.

Avaliados por um júri independente presidido por António Rendas, os PIM vencedores dizem respeito a diferentes áreas de especialização como o cancro da mama e do pulmão, a surdez nas crianças, o consumo de álcool, tabaco, e outras substâncias e a utilização de jogos de vídeo por adolescentes.

A surdez neurosensorial irreversível

Especialista em Otorrinolaringologia na CUF e Professora na NOVA Medical School, Cristina Caroça lidera uma das equipas vencedoras desta iniciativa. O seu projeto de investigação nasceu da experiência nas missões humanitárias do Instituto Marquês de Valle Flôr na qual o Hospital CUF Infante Santo colabora desde 2011, levando equipas de médicos, técnicos, enfermeiros, audiologistas e terapeutas CUF a São Tomé e Príncipe. Nestas missões verificou “um elevado número de casos de crianças com surdez neurosensorial irreversível”. Constatou ainda “uma elevada prevalência de uma alteração do sangue” que, de algum modo, “protege a população da doença endémica daquele país – a malária – mas que poderá ser um dos fatores responsáveis pela surdez e pelo quadro de icterícia neonatal severa, e esta pelas alterações no desenvolvimento cognitivo da criança.” Ao longo dos últimos anos, têm surgido crianças que ouvem, mas não apresentam oralidade, pretendendo-se agora alargar a amostra já obtida para obter resultados com maior peso estatístico e investigar a eventual ausência de oralidade em crianças ouvintes.

Abordagem inovadora no estudo dos gânglios linfáticos metastáticos em doentes com cancro do pulmão

António Bugalho, Pneumologista da CUF e Professor da NOVA Medical School é também coordenador de um dos projetos vencedores. Uma investigação que procura “estudar um dos compartimentos muitas vezes afetados pelas células cancerígenas, os gânglios linfáticos”. Sendo o cancro do pulmão uma das principais causas de mortalidade por cancro no mundo e em Portugal, com esta investigação, de acordo com António Bugalho, procuram-se resultados que permitam “uma maior compreensão de como conter a evolução do cancro do pulmão e que se traduzam numa melhoria da sobrevivência e qualidade de vida das pessoas que dele padecem."

O sistema imunitário e o cancro da mama

A Investigadora do CEDOC – Centro de Estudos de Doenças Crónicas, da NOVA Medical School, Guadalupe Cabral, em colaboração com a CUF - Instituto de Oncologia e os Hospitais Fernando Fonseca e Vila Franca de Xira, dedica a sua investigação à relação entre o sistema imunitário e o cancro da mama. Com este trabalho, verificaram que “os doentes com cancro da mama que têm à partida na superfície dos seus linfócitos T, as células imunitárias que têm capacidade de matar células tumorais, respondem positivamente à quimioterapia convencional.” A equipa de investigação liderada por Guadalupe Cabral pretende agora que os resultados inovadores deste estudo sejam validados para que possam contribuir para tornar mais eficientes os tratamentos disponibilizados a cada mulher com cancro da mama, poupando-se tempo e recursos, e evitando a aplicação de tratamentos sem benefícios, ou mesmo com efeitos nocivos.

Intervenção na redução de consumo de substâncias entre os adolescentes

O projeto liderado pelo Pediatra do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas, Hugo Castro Faria – “Impacto de um programa de intervenção para a saúde em escolas na redução de consumo de substâncias entre os adolescentes” – propõe-se a desenvolver estratégias eficazes que permitam inverter a tendência verificada em diversos estudos que indicam que os adolescentes portugueses apresentam um comportamento preocupante no consumo de substâncias como o tabaco, álcool e cannabis, “com consumo significativo em idades precoces”. Sendo importante o desenvolvimento de estratégias eficazes, os autores do estudo desenharam um projeto de intervenção por profissionais de saúde, de proximidade, ao longo de dois anos, que vai para além das habituais palestras informativas para um grande número de alunos. Esta intervenção, inicialmente restrita a um grupo, pretende apurar se os consumos se tornam ou não menos frequentes, para que possa ser a base de um programa mais generalizado de interação entre escolas e serviços de saúde.

Os vídeo-jogos importam?

A Pediatra do Hospital CUF Cascais, Patrícia de Almeida Rodrigues Gonçalves, aborda no seu projeto de investigação – “Teenager motor skills – do videogames matter?” – as consequências da utilização dos videojogos, procurando ir para além dos seus efeitos negativos, tais como o isolamento, a adição, a violência, ou a obesidade, entre outros. Assim, sabendo-se que “as novas tecnologias já fazem parte do dia-a-dia habitual das crianças e adolescentes” e que “segundo uma pesquisa recente, 38% dos adolescentes portugueses passa, pelo menos, uma hora por dia a jogar videojogos”, pretende-se investigar também “os seus efeitos positivos e inclui-los num estilo de vida saudável”. Isto porque “alguns estudos parecem mostrar uma melhoria do desempenho em tarefas relacionadas com a motricidade fina, depois da utilização de determinados videojogos.”

 

 

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Editorial
Rui Nogueira
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“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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