ICBAS desenvolve técnica que melhora preservação de espermatozoides
DATA
31/10/2018 12:14:44
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Jornal Médico
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ICBAS desenvolve técnica que melhora preservação de espermatozoides

Uma equipa de investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto, desenvolveu uma técnica que melhora a preservação dos espermatozoides utilizados em tratamentos de fertilidade.

“Sabemos que hoje em dia um terço dos casais tem problemas de fertilidade ou infertilidade, o que perfaz um número de cerca de dois milhões de casais a nível mundial e, desses casais, 30% dos problemas devem-se ao fator masculino”, explicou o investigador responsável pelo projeto, Marco Alves, citado pela agência Lusa.

Designado “Spermboos”, este projeto começou a ser desenvolvido em 2016 e surgiu de “uma necessidade de mercado e de saúde pública”.

“Achamos que valeria a pena procurar alguns compostos, proteínas ou mecanismos que pudessem melhorar a preservação dos espermatozoides. Assim, pesquisamos uma substância que pudesse acelerar o espermatozoide e mantê-lo viável mais tempo”, explicou o investigador.

Segundo Marco Alves, as pesquisas desenvolvidas pelo ICBAS demonstraram que através de “um ativador de proteínas” o espermatozoide “fica móvel após duas horas [tempo que deve permanecer armazenado] sem perder qualidades”.

“Quando se faz uma fertilização in vitro nunca se sabe qual é o melhor espermatozoide, portanto, recorre-se à preparação. A nossa tecnologia, através de vídeo, mostra que os espermatozoides, passado duas horas, tem uma mortalidade bastante reduzida, comparativamente às técnicas utilizadas”, salientou.

A solução encontrada pelos investigadores permite, assim, “uma fertilização mais rápida e eficaz”, sem que “os espermatozoides percam o ADN” e seja necessário que os homens façam “mais do que uma recolha de gâmetas”.

“Este tratamento poderá fazer com exista uma menor necessidade de recolhas, evitando que os homens andem sistematicamente a fazer recolhas. Além disso, a probabilidade da fertilização in vitro correr bem é maior”, frisou.

Marco Alves explicou que, globalmente, o mercado para o tratamento de fertilidade já ultrapassa os 4,8 biliões de euros, sendo que o processo de fertilização in vitro pode ter um custo de 50 mil a meio milhão de euros por casal.

“Não se fala dos custos dos tratamentos, mas, na verdade, cada fertilização in vitro pode custar entre 50 mil a meio milhão de euros. O facto desta solução permitir que os homens se desloquem menos vezes às clínicas para fazerem a recolha dos espermatozoides, permite que os custos do tratamento sejam também mais reduzidos”, esclareceu.

De salientar que o “Spermboost”, que já possui uma patente nacional e mundial, foi distinguido em setembro, no âmbito da iniciativa BIP Proof, com um prémio no valor de 10 mil euros, contando com o apoio da Fundação Amadeu Dias.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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