Marta Temido é a nova ministra da Saúde
DATA
15/10/2018 10:33:22
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Jornal Médico
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Marta Temido é a nova ministra da Saúde

O Governo anunciou este domingo a substituição da pasta da saúde, que fica a partir de agora à responsabilidade da ex-subdiretora do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Marta Temido.

A nova ministra da Saúde, de 44 anos, é doutorada em Saúde Internacional pelo Instituto de Higiene e Medicina Troical da Universidade Nova de Lisboa, detendo um mestrado em Gestão e Economia da Saúde pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbira e uma licenciatura em Direito pela Faculdade de Direito da Univerisdade de Coimbra.

Marta Temido exercia os cargos de subdiretora do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e de presidente não executiva do conselho de administração do Hospital da Cruz Vermelha Portugesa. Esteve, ainda, à frente da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), durante dois anos, tendo abandonado o cargo em dezembro de 2017. 

Adalberto Campos Fernandes foi substituído ao fim de três anos de um mandato marcado pela forte contestação dos profissionais do setor. Recorde-se que este verão ficou marcado por demissões em série, ou ameaças nesse sentido, de diretores de serviços e médicos das Urgências. O Hospital de São José, a Maternidade Alfredo da Costa e o Hospital de Gaia são alguns desses exemplos.

A Ordem dos Médicos e a Ordem dos Enfermeiros têm sido duas estruturas particularmente críticas da atuação do Ministério da Saúde, mas não estão isolados. Este ano, surgiu em Portugal um movimento que engloba vários profissionais, além de médicos e enfermeiros. O “SNS in Black” pretende ser um “lado B do SNS”, denunciando situações concretas, sobretudo através das redes sociais.

No seu relatório anual, o Observatório Português dos Sistemas de Saúde também criticou as carências estruturais nos cuidados de saúde primários e lamentou que os hospitais continuam em crise e esteja à “beira de um ataque de nervos”.

Adalberto Campos Fernandes deixa, agora, como herança à sua sucessora, Marta Temido, uma nova Lei de Bases da Saúde, que embora esteja pronta, ainda não foi aprovada em Conselho de Ministros.

O ex-ministro deixa a promessa de conferir autonomia a um quarto dos hospitais portugueses, que terão capacidade de recrutar e decidir investimentos, mas também responder pelos tempos de espera.

Segundo o antigo responsável da Saúde, a dívida a fornecedores começou a descer, apesar de ainda estar acima dos 750 milhões de euros, foram criadas condições para que “não cresça, antes pelo contrário, diminua mês a mês”. Está a ser preparada uma injeção adicional de 500 milhões de euros, sobre o financiamento disponibilizado no início do ano para pagamento de dívidas, o que, segundo o ministro, permitirá entrar em 2019 numa “situação estável”.

Já questionado pela RTP sobre o orçamento para o próximo ano, o ex-ministro estimou que haverá um aumento de cerca de 300 milhões de euros face a 2018. Adalberto Campos Fernandes salientou que, “pela primeira vez”, vão ser repostos “os 1000 milhões de euros que tinham sido suprimidos pelo Governo anterior aquando da intervenção externa (2011-2015)” e que esse valor, “que muito penalizou o SNS e que o deixou em condições muito difíceis”, será superado no final desta legislatura.

 

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.