Formação em suporte básico de vida e desfibrilhação pode vir a ser obrigatória
DATA
22/08/2018 11:04:35
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Jornal Médico
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Formação em suporte básico de vida e desfibrilhação pode vir a ser obrigatória

A formação no uso de desfibrilhadores poderá vir a ser obrigatória para os novos condutores, alunos do ensino secundário e dos cursos de ensino superior de Ciências da Saúde e do Desporto, bem com para vários grupos profissionais.

A recomendação de formação em suporte básico de vida (SBV) e desfibrilhação automática externa (DAE) consta de um relatório publicado na página oficial do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), citado pelo Jornal de Notícias.

O relatório foi realizado por um grupo de trabalho criado pelo Ministério da Saúde, com o intuito de estudar a requalificação do Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa de 2009. O mesmo está em discussão pública até dia 27 de agosto.

No documento é destacado que a desfibrilhação deve continuar a ser enquadrada em programas organizados e manuseados por operacionais treinados e licenciados de acordo com a lei.

“Contudo, no momento atual estão reunidas as condições de segurança para que, em situações particulares, o manuseio do DAE possa ser feito por cidadãos não treinados, sempre que possível por indicação telefónica dada pelo médico do CODU [centro de orientação de doentes urgentes], ou estruturas equivalentes nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, em tempo útil e em benefício da vítima”, refere o relatório.

O grupo de trabalho recomenda que a formação passe a ser obrigatória para todos os candidatos à obtenção de carta de condução e de licença marítima turística, alunos do ensino secundário, concretizando-se o currículo oficial em vigor para o treino de SBV e acrescido treino em competências de DAE e alunos do ensino superior das Ciências da Saúde e do Desporto.

 Além dos profissionais de saúde, esta formação deverá ser obrigatória a todos os nadadores-salvadores do Instituto de Socorros a Náufragos, agentes da GNR integrados no Grupo de Intervenção Proteção e Socorro (GIPS), novos elementos incorporados nas forças de segurança (PSP, Polícia Municipal, GNR e Política Marítima).

De acordo com o grupo de trabalho, devem ainda fazer a formação “tripulantes de ambulâncias (incluindo de transporte não urgente e de empresas privadas, em ambulância ou viatura dedicada ao transporte de doentes), novos vigilantes de empresas de segurança, oficiais da marinha mercante (…) e os tripulantes de cabine de aeronaves comerciais com base em Portugal”.

O relatório recomenda, ainda, um reforço de dispositivos em locais onde passam em média mil pessoas por dia, nomeadamente centros comerciais, unidades hoteleiras, monumentos, áreas de diversão, embarcações turísticas e de transporte público, entre outras.

É proposta a “implementação de um estudo-piloto que implique a realização de um registo a efetuar em duas ou três regiões do país, durante um tempo determinado e que deverá incluir todas as entidades responsáveis pelos cuidados de saúde das vítimas de PCR [paragem cardiorrespiratória] nas regiões escolhidas”.

O documento refere, ainda, que o grupo de trabalho “detetou importantes lacunas” nos registos de casos e, como tal, é sugerida a criação de novas bases de dados.

É também recomendado um Plano Nacional de Combate à Morte Súbita Cardíaca e o desenvolvimento de uma Campanha Nacional de Sensibilização.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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