Porto: Investigadores criam testes para certificar produtos alimentares
DATA
28/05/2018 12:42:53
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Jornal Médico
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Porto: Investigadores criam testes para certificar produtos alimentares

Investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR) criaram uma startup que produz testes e kits para identificar e certificar produtos alimentares, efetuar análises forenses e detetar agentes patogénicos e espécies invasoras.

"A nossa ideia é fornecer aos utilizadores a possibilidade de saber qual a espécie de qualquer amostra biológica que estes queiram analisar", disse, em declarações à agência Lusa, o líder do projeto e investigador no CIIMAR, Filipe Pereira.

Por sua vez, as soluções desenvolvidas pela startup podem ser utilizadas por laboratórios, por empresas e pela comunidade em geral.

Segundo o coordenador, esses testes e kits são o resultado de dez anos de investigação na área da genética populacional e forense, na Universidade do Porto, "apresentando características únicas, nomeadamente na identificação de amostras degradadas e processadas".

"A grande vantagem é termos desenvolvido ‘kits' que funcionam em amostras degradadas e com misturas de diferentes espécies", como é o caso dos produtos alimentares processados e das amostras ambientais, frisou.

Esta vantagem resulta do facto desta equipa efetuar investigação na área da genética forense, onde essa é “uma característica fundamental”.

"Os nossos kits estão desenhados para darem resultados quando as amostras têm pouco DNA, situações em que, através de outras técnicas, não se consegue obter qualquer resultado", acrescentou.

Por outro lado, enquanto "a maioria das empresas no mercado fornece testes para humanos", os responsáveis pela Identifica estão "focados em identificações biológicas em DNA de outros animais, plantas, bactérias e fungos".

Em breve, os investigadores esperam lançar um serviço para deteção de DNA de animais em amostras alimentares e vestuário, tendo como público-alvo os utilizadores vegan.

No futuro, pretendem ainda tornar os kits portáveis, permitindo ao utilizador fazer a identificação em qualquer local, trabalho que está a ser desenvolvido em parceria com o International Iberian Nanotechnology Laboratory, em Braga. Segundo Filipe Pereira, trata-se de uma inovação que "ainda não existe, em nenhuma parte do mundo".

Ainda no doutoramento em genética populacional, no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, o investigador desenvolveu kits para identificar espécies, investigação que continuou no CIIMAR, resultando em diversos testes genéticos, como um para deteção do salmão transgénico.

De salientar que este projeto conquistou o segundo lugar na edição deste ano do Business Ignition Programme, um programa que visa dotar os participantes de competências relevantes para darem resposta a desafios e oportunidades de mercado.

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