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Hospital da Ilha Terceira volta a ter sistema de telemetria após dois anos e meio
DATA
23/05/2018 16:21:31
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Hospital da Ilha Terceira volta a ter sistema de telemetria após dois anos e meio

O Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, nos Açores, inaugurou hoje um novo sistema de telemetria, após ter estado cerca de dois anos e meio sem este equipamento.

“Era um equipamento que já estava a ser trabalhado com o hospital e com o serviço respetivo desde 2017. No início deste ano, a portaria saiu com a definição do apoio, após o próprio serviço ter determinado qual era o aparelho que era essencial”, adiantou, em declarações aos jornalistas, o secretário regional da Saúde, Rui Luís, durante a inauguração.

Questionado sobre o atraso na aquisição deste equipamento, o governante explicou que embora o executivo tenha disponibilizado uma verba de 60 mil euros no final de janeiro, o mesmo teve de ser importado dos Estados Unidos.

“Da nossa parte, desde o início do ano que tínhamos os procedimentos prontos, foi uma questão entre o fornecedor e o hospital”, adiantou.

Segundo Rui Luís, o novo aparelho permite monitorizar seis doentes em simultâneo e tem um sistema wi-fi. “O doente pode-se deslocar no serviço e continuar a ser monitorizado, o que será fundamental para a vigilância que se impõe a este tipo de doentes”, apontou.

O diretor do serviço de cardiologia do Hospital da Ilha Terceira, Virgílio Schneider, considerou que o sistema é um “passo fundamental” para trabalhar em cardiologia.

“Permite que o médico saiba nas 24 horas o que se passa. Se o doente não estiver monitorizado, nós não sabemos se existiu uma arritmia que pode pôr em causa a vida do doente, por exemplo, durante a noite, enquanto está a almoçar, eventualmente até na casa de banho. De outra maneira, podemos ser confrontados com situações em que o doente está descompensado e quando chegamos isso já passou”, salientou.

No entanto, o cardiologista refere que este sistema é apenas um “primeiro passo” e que é necessário avançar com a abertura da “unidade de cuidados intensivos cardíacos coronários e da sala de intervenção para implantação de pacemakers”.

“Temos espaço, temos um hospital fantástico e com um espaço físico fabuloso e é preciso equipá-lo para bem dos nossos doentes”, apontou, frisando que os Açores têm “a mortalidade mais elevada por doença isquémica do coração” do país.

Segundo Rui Luís, a região tem procurado criar know-how e reforçar os recursos humanos para que, no futuro, possam ser realizadas cirurgias que atualmente só estão disponíveis no continente. No entanto, é preciso trabalhar para mudar hábitos de vida dos açorianos para contrariar os números desta patologia.

Relativamente à unidade de cuidados intensivos, defendida por Virgílio Schneider, o secretário regional da Saúde disse que estão a ser “dados passos” para que a mesma possa existir, no futuro, mas “complementar com outras especialidades, por exemplo, a neurologia e a parte vascular”.

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