Canábis: permitir cultivo é “deixar doentes abandonados à sua sorte”
DATA
21/02/2018 11:48:33
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Jornal Médico
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Canábis: permitir cultivo é “deixar doentes abandonados à sua sorte”

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) considera que o cultivo e uso da planta da canábis é “uma não solução” e representa “deixar os doentes abandonados à sua sorte”.

Félix Carvalho, do grupo de trabalho da OF sobre a canábis para fins terapêuticos, disse ontem no parlamento que “não se pode dizer [aos doentes] para cultivar plantas em casa como uma suposta mezinha”.

“Não é essa a forma de tratar os doentes em Portugal”, afirmou Félix Carvalho, frisando que a planta da canábis pode ainda “agravar a doença de quem se pretende tratar”.

Félix Carvalho adianta que o que tem sido estudado é a eficácia dos canabinoides em medicamento, não havendo adequadas avaliações de risco e benefício para a planta da canábis.

O representante do grupo de trabalho considera inadequado propor o cultivo da planta da canábis pelos doentes, adiantando que “é uma não solução [e] é deixar os doentes abandonados à sua sorte”.

“Vemos com muita preocupação que se pretenda usar o auto cultivo de plantas para soluções que já existem com medicamentos que estão no mercado”, indicou.

Também o antigo dirigente da Autoridade do Medicamento, Hélder Mota Filipe, corroborou no que “existem medicamentos canabinoides que fizeram todo o percurso para avaliação em termos de qualidade e segurança”, o que não acontece no caso da planta da canábis, que tem centenas de compostos e muitos deles nem se sabe a sua atividade.

“Estar a discutir o uso da planta em vez do uso destes medicamentos é estar a retroceder”, considerou Hélder Mota Filipe.

Na audição na Comissão Parlamentar de Saúde, a deputada do CDS Isabel Galriça Neto considerou que esta é “uma matéria científica” e que “não é seguramente política”, entendendo ainda que “há terapêuticas alternativas que fundamentadamente são opções para o tratamento sintomático” para os doentes.

“Temos todas as reservas às questões que envolvem o uso da planta e do auto cultivo”, considerou a deputada, que é médica, indicando ainda que para o CDS esta questão “não é uma premência social”.

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