Sindicatos médicos avançam para greve se Governo não agir até final do mês
DATA
05/09/2017 11:06:09
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Jornal Médico
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Sindicatos médicos avançam para greve se Governo não agir até final do mês

Os sindicatos médicos reafirmaram a intenção de fazer uma nova greve nacional após as eleições autárquicas, caso o Ministério das Saúde se mantenha sem apresentar contrapropostas às reivindicações sindicais.

“Os sinais são muito negativos”, afirmou o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, aos jornalistas no final da reunião do Fórum Médico, que decorreu ontem, em Lisboa. Também o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Mário Jorge Neves, declarou que “se vão acumulando as evidências” de que o Governo “está a empurrar os sindicatos” para uma nova greve, que seria a segunda este ano, já que os médicos cumpriram dois dias de paralisação nacional em maio.

“Já havíamos anunciado a intenção de greve para depois das autárquicas”, reafirmou o responsável da FNAM, indicando que se até ao fim de setembro se mantiver o impasse negocial os médicos marcarão as datas da paralisação. “Existe um acordo de princípio que os sindicatos médicos pretendem honrar e que indica que até ao fim de setembro iriam decorrer as negociações tendentes a encontrar uma plataforma de entendimento”, acrescentou.

Os sindicatos apresentaram uma proposta negocial em meados de abril e dizem que até ao momento não receberam qualquer contraproposta por parte da tutela. “O Ministério da Saúde está sob a ditadura do Ministério das Finanças”, lamentou Roque da Cunha, secundado pelo representante da FNAM, para quem “há uma política de ditadura das Finanças sobre a Saúde”.

Mário Jorge lamentou ainda o “desmembramento acelerado do Serviço Nacional de Saúde (SNS)” e as condições de trabalho que se vão degradando, sublinhando ao jornalistas que “a força política atualmente no poder, que se arroga de ter lançado os fundamentos do SNS, arrisca-se a ficar na história como o seu coveiro”.

Os sindicalistas insistem que as matérias que, defendem, não são reivindicações de aumentos salariais, mas antes questões estruturais de defesa do SNS. E frisam que se trata de “repor matérias que existiam no plano legal antes da troika” e da assistência financeira a Portugal.

Em causa está a redução da lista de utentes por médico de família, que atualmente se situa nos 1.900 utentes por médico, enquanto os sindicatos pretendem regressar a um máximo de 1.500.

A limitação do trabalho suplementar a 150 horas anuais, em vez das atuais 200 e a imposição de um limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência são outras das matérias essenciais para os sindicatos e que já estiveram na origem da greve de maio.

Os sindicatos mostraram-se já disponíveis para que três das suas principais reivindicações sejam faseadas em três datas diferentes até ao fim da legislatura.

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Editorial | Jornal Médico
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